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De volta ao Brasil, hoje estive no palco do TJCC para mediar uma conversa sobre câncer de pulmão. E, à parte do debate em si, me chamou a atenção a grandiosidade do evento. Vou todos os anos ao TJCC e a impressão que tenho é que ele está cada vez maior — o que é incrível, visto que a pauta da oncologia é e será cada vez mais relevante para o nosso país. Também surgiu no palco hoje uma provocação sobre fazermos mais pela saúde. E fiquei pensando no quanto conseguimos, de fato, acompanhar as decisões que impactam o setor — não apenas durante uma eleição, mas ao longo de todo um mandato. Quem decidiu o quê? O que foi prometido? O que avançou? O que ficou pelo caminho? Na prática, sabemos que muita gente sequer se lembra em quem votou para deputado, por exemplo. À parte da disputa política, quis trazer essa reflexão aqui também: talvez acompanhar a saúde passe por acompanhar melhor quem toma as decisões sobre ela.
Na news desta semana, trazemos várias matérias importantes para o cenário da saúde. Começando pelo imbróglio entre Mercado Livre, farmácias e Anvisa — explicamos o que pode acontecer nesse importante mercado, cada vez mais disputado por novos players. Depois, uma reportagem sobre o desejo do Ministério da Saúde de aproximar a CMED da Conitec. Conversamos com Mateus Amâncio, da CMED, que nos explicou que as conversas estão acontecendo, mas ainda são iniciais. Também trazemos as novas fronteiras da radioterapia, depois de acompanharmos in loco um congresso em Boston. E, por fim, as perspectivas abertas pela possibilidade do receituário digital para medicamentos controlados.
Espero que aproveitem a news desta semana. Até semana que vem!
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FARMÁCIAS X MARKET PLACES O anúncio do Mercado Livre de avançar na venda de medicamentos sob prescrição repercutiu no setor e foi acompanhado por queda nas ações de redes de farmácias. A Abrafarma afirma que a iniciativa contraria a legislação vigente, enquanto a Anvisa notificou formalmente a companhia e pediu informações sobre sua regularidade para exercer a atividade. O Mercado Livre diz que todos os pedidos com receita passam por conferência técnica de um farmacêutico antes da liberação. A empresa prevê avançar em outubro para o modelo com farmácias parceiras. Questionada sobre os próximos passos da regulação dos marketplaces, a Anvisa não informou quando pretende retomar o tema. Leia aqui
CMED + CONITEC O Ministério da Saúde se articula para dar mais celeridade à aprovação e disponibilização de novas tecnologias em saúde. Ao Futuro da Saúde, o secretário executivo da CMED, Mateus Amâncio, disse que há conversas iniciais para aproximar o trabalho da Câmara ao da Conitec, mas ainda é preciso definir de que forma as análises de uma instituição poderiam subsidiar a outra. Uma das possibilidades é levar elementos de ATS para o processo de precificação, especialmente em casos mais complexos, como terapias avançadas. A indústria reconhece o debate para o aprimoramento regulatório, mas defende a preservação das competências de cada órgão. Para especialistas em ATS, a integração pode reduzir retrabalho e tornar os fluxos mais eficientes, inclusive com submissões paralelas em casos específicos. Leia aqui
POTENCIAL DA RADIOTERAPIA Associada historicamente ao tratamento do câncer, a radioterapia começa a avançar em novas fronteiras — dentro e fora da oncologia. Os ganhos de precisão na entrega da radiação têm permitido explorar novas possibilidades terapêuticas para doenças articulares e condições de saúde mental, como a depressão. Estudos recentes apresentados no congresso da Sociedade Americana de Radioterapia Oncológica, em Boston, EUA, e pesquisas clínicas em andamento investigam essas novas aplicações. Ao mesmo tempo, a tecnologia também avança no tratamento oncológico: o evento foi marcado pelo lançamento de um novo equipamento que promete reduzir de forma significativa o tempo necessário para tratar tumores complexos e pode permitir a irradiação de múltiplas metástases em uma mesma sessão. Leia aqui e aqui
PRESCRIÇÃO DIGITAL Entra em operação nesta semana uma nova etapa do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), que passa a permitir a emissão digital de receitas de medicamentos sujeitos a controle especial, incluindo as notificações azul e amarela. A mudança não elimina as receitas físicas nem torna obrigatória a adesão ao formato digital. Considerada um avanço pelo setor, a medida deve facilitar o acesso, especialmente em atendimentos por telessaúde, além de ampliar a rastreabilidade da prescrição e da dispensação. A expectativa é também reduzir fraudes e desvios de medicamentos. Leia aqui
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Entidades internacionais chamam atenção para papel de aspectos subjetivos no cuidado; produção científica sobre o tema aumenta, mas formação prática ainda é deficitária Leia mais
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Essa aproximação [entre Conitec e CMED] traz ganhos de eficiência, evita retrabalho, reanálises. [...] Não é no sentido de tornar obrigatório, mas podemos nos aproximar e, talvez, até fornecer insumos da própria análise de preço que serão usados pela Conitec. |
Mateus Amâncio, secretário da CMED, ao Futuro da Saúde.
Leia aqui.
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| de reais é o valor que a AGU pede em processo contra 17 operadores de apostas on-line por prejuízos causados à saúde da população e ao SUS. Leia aqui |
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"O debate sobre os reajustes dos planos de saúde voltou ao centro da agenda pública no Brasil. Projetos de lei em discussão no Congresso Nacional e Propostas da ANS propõem novas regras para os contratos coletivos, que concentram cerca de 80% dos beneficiários da saúde suplementar. O modelo dos planos individuais já mostrou os efeitos de uma regulação excessivamente rígida, que tornou o produto pouco acessível e levou as operadoras a reduzir drasticamente sua oferta. Repetir essa lógica nos coletivos pode transferir uma conta insustentável para o SUS". Leia o artigo aqui
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"Embora seja um tema novo no debate público brasileiro, o diabetes tipo 5 ostenta números preocupantes em escala global. [...] O perfil epidemiológico predominante repete um padrão rígido: jovens adultos com menos de 30 anos, moradores de áreas rurais, sobretudo do sexo masculino e em estado de magreza extrema." Leia o artigo aqui
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"Durante décadas, nosso setor digitalizou instituições. Criamos prontuários eletrônicos, sistemas hospitalares, plataformas de laboratório, e produzimos uma quantidade extraordinária de dados. Agora é preciso dar o próximo passo para garantir a continuidade dessa história clínica, porque o paciente não deixa de ser a mesma pessoa quando sai de um hospital e entra em outro". Leia o artigo aqui
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Sandbox regulatório na Anvisa Nesta quarta-feira, 30, a Anvisa aprovou o relatório de análise de impacto regulatório para a construção de uma norma geral de sandbox para tecnologias inovadoras. A minuta prevê o uso do instrumento em caráter excepcional, em situações de desafio regulatório, com experimentações com tempo determinado e com monitoramento contínuo. O modelo poderá ser aplicado a diferentes áreas, produtos e serviços regulados pela agência. A minuta será submetida a consulta pública por 60 dias. Leia mais aqui
Participação social no TJCC Pesquisa inédita do Movimento TJCC mostra que 89% dos entrevistados acreditam que a participação social pode contribuir para melhorar a saúde no Brasil, embora o engajamento ainda se concentre em espaços de menor complexidade, como campanhas e petições. Os dados, apresentados no 13º Congresso TJCC, reforçam desafios relacionados a burocracia, transparência e representatividade nos mecanismos de participação. Para o movimento, ampliar e qualificar a escuta da sociedade é essencial para aproximar pacientes e cidadãos das decisões em saúde. O debate também passa pela capacitação de gestores e pelo uso de novas ferramentas para tornar esses espaços mais acessíveis e efetivos. Leia aqui
Jornada de pacientes com AME A atrofia muscular espinhal (AME) é uma doença rara, genética e neurodegenerativa que atinge até um em cada 10 mil nascidos. No Brasil, são quase dois mil indivíduos diagnosticados, segundo o INAME. Até uma década atrás, a inexistência de terapias capazes de alterar o curso biológico da doença culminava em um prognóstico quase sempre negativo e limitado. Hoje, com um maior entendimento da doença e a evolução dos tratamentos disponíveis, esses pacientes têm vivido por mais tempo. Essa nova realidade demanda uma reorganização da jornada de cuidado, com foco na qualidade de vida, autonomia e personalização. O panorama também expõe a necessidade de um olhar mais humano e holístico dos profissionais de saúde. Leia aqui
Panorama da IA na saúde A inteligência artificial já produz ganhos concretos na rotina da saúde, segundo o recorte brasileiro do Futuro Health Index, estudo global da Philips debatido em episódio especial do Futuro Talks. Entre os profissionais de saúde, 93% se dizem otimistas com o potencial da tecnologia para melhorar desfechos clínicos, enquanto 62% relatam economia média de 132 horas de trabalho por ano com ferramentas de IA. No Brasil, os entrevistados afirmam conseguir atender até 15 pacientes adicionais por semana com apoio da tecnologia. Para Felipe Basso, diretor-geral da Philips para a América Latina, o avanço da IA depende de maior interoperabilidade, integração de dados, governança e regulação. Veja aqui
Estamos acompanhando
- Ministério da Saúde protocola novo pedido de incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS. Leia aqui
- Anvisa abre seleção para aconselhamento regulatório de medicamentos inovadores. Leia aqui
- dr.consulta recebe US$ 30 milhões da IFC, do Grupo Banco Mundial, para investir em expansão. Leia aqui
- Britânica Care Plus fecha compra de parte da fatia da DNA Capital na Beep Saúde. Leia aqui
- Marketplaces podem vender medicamentos? – Futuro Explica. Assista aqui - NR-1: Mendonça prorroga por 90 dias suspensão de multas por descumprir regras de saúde mental. Leia aqui
- Estudo mostra que organizações sociais elevam produtividade e aumentam internações em hospitais. Leia aqui
- OpenAI pede desculpas por invasão de site do governo australiano e promete reconstruir a confiança. Leia aqui
- Hospitals in England hit by shortages of common drugs such as paracetamol. Leia aqui
- EUA e UE rejeitam assinar declaração da ONU e se comprometer com combate de novas pandemias. Leia aqui
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Jornalista especializada em saúde, com mais de uma década de atuação na área. Natalia é criadora do Futuro da Saúde, hub de conteúdo digital para se informar sobre os desafios da saúde e os próximos passos para o setor.
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