
Para uma geração, a
Califórnia foi sinônimo do verão perfeito. Entre o pôr do sol de
S.O.S. Malibu e o glamour de
Barrados no Baile, muitos brasileiros formaram nas telas da TV a imagem das férias ideais.
Aos poucos, esse imaginário atravessou o Atlântico. Primeiro com as ilhas gregas, depois com a
Puglia, a
Riviera Albanesa, a
Croácia. Acontece que, assim como Los Angeles está longe de um paraíso idílico, existe algo de anacrônico em continuar falando do "verão europeu" como emblema de uma temporada inatingível.
A chegada oficial da estação nesta semana só confirma a distância. Com temperaturas acima dos 40 °C, o que se viu foram alertas e medidas dos governos a fim de evitar
os impactos do calor desconcertante.
O problema vai além da fila do
gelato: estamos falando de escolas fechadas, restrição do consumo de álcool, frotas de trens sem ar-condicionado e um continente que, diferente do Brasil, é projetado para reter calor. Na prática, é menos o verão da geração saúde, mais o verão da saúde pública.
Para o turista, o problema começa logo na chegada. Em menos de dois meses desde a adoção, o novo
Sistema de Entrada e Saída (EES) da
União Europeia tem demonstrado diversas falhas. São defeitos no reconhecimento biométrico e nas cabines operadoras, que têm gerado perda de voos e até seis horas de filas de turistas, literalmente, barrados no baile.
Agora, administradores de alguns dos principais aeroportos europeus, incluindo o CEO dos
Aeroporti di Roma, já começam a questionar os governos e cogitar
o abandono completo do sistema para o verão – um perrengue longe de chique, que está só começando por lá.