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EDIÇÃO #781 • 31/08/2026 • THEDROPS.COM.BR |
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Bom Dia, Dropper! |
Hoje eu aprendi: que hoje é o último dia de Tim Cook batendo ponto como CEO da Apple antes de se aposentar. Durante seu tempo no poder, o valor de mercado da Apple aumentou em média ~US$ 32 milhões por hora, a cada hora, todos os dias dos últimos 15 anos! |
Se você acha que sua meta estava alta demais, pense na responsa do novo CEO John Ternus. #GoodLuck |
No TechDrops de hoje, direto ao ponto: |
•︎ SaaSnaissance: o comeback da Salesforce •︎ Post Mortem: a conspiração de agentes da OpenAI •︎ BlackBerry: harmonização facial industrial •︎ Stat: US$ 10 bilhões da Meta para Anthropic •︎ Contra Dados Não Há Argumentos: Engarrafamento espacial |
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BUSINESS |
SaaSpocalipse → SaaSnaissance |
tldr: Wall Street está voltando a amar empresas de software, que agora também são empresas de IA |
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Em maio, um avião sobrevoou a conferência anual da SaaStr no Vale do Silício com uma faixa: "SaaS is dead". Mas só se estiver junto com o SEO, com os emails e Elvis Presley, porque três meses depois a Salesforce comemorou o seu segundo melhor dia na bolsa, subiu +22% e adicionou US$ 38 bilhões de valor de mercado em um dia. |
A volta dos que não foram: na última quinta (27), a Salesforce subiu +22%, Okta +28% e CrowdStrike +20%. Em um horizonte um pouco maior, a HubSpot avançou +10% no mês, a ServiceNow +25%, a Monday +15% e a Intuit +14%. |
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O SaaSgenesis: nos últimos 20 anos o mercado se desenhou em torno de softwares corporativos se vendendo como interface (a janela que fazia qualquer operação ser mais fácil que usar o Excel e o Access). |
O SaaSpocalipse: até que surgiram os agentes de IA para falar que as janelas também ficaram obsoletas, pois eles mesmos chamam APIs e organizam tudo. E em tese qualquer um pode usar o vibe-coding para recriar as funções. |
A SaaSnaissance: o combo "importância de dados organizados + décadas de inteligência real acumulada + a realidade de que a interface é o que menos mexe nos ponteiros do Software as a Service” fez o mercado tirar as selas dos cavalos do apocalipse. |
E a Salesforce passou o trimestre trabalhando fortemente em cima desse argumento: |
Ela mesma matou a própria tela: o Headless 360, anunciado na quarta, expõe os dados da Salesforce dentro do Claude, ChatGPT, Slack e Teams. Em vez de vender front-end, cobrou o que está atrás dele.
O volante gira sozinho: agente gera trabalho, trabalho gera registro, registro alimenta o próximo agente. Foram 3,2 bi de unidades de trabalho agêntico no trimestre, quase o dobro do anterior, com 104 trilhões de registros ingeridos no Data 360.
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Conforme os times de produto e marketing se adaptam, o time financeiro comemora: o ARR somado de Agentforce e Data 360 chegou a US$ 3,9 bi, mais que o triplo de um ano atrás. |
Plus: quem ia matar o setor virou cliente. Nove das dez maiores empresas de IA rodam Salesforce e Slack, com gasto combinado 435% maior na base anual. A Anthropic, que um investidor descreveu em junho como quem "ia comer o almoço" das empresas de software, assinou o Claudeforce em agosto. |
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MUNDO AFORA |
→ Meta está testando robôs para trocar cabos e realizar outras operações de manutenção nos datacenters. |
→ Anthropic venceu na Justiça e não pode mais ser considerada ameaça à cadeia de suprimentos dos EUA pelo Pentágono |
→ CXMT, a fabricante de chips chinesa, processou o Pentágono pelo mesmo motivo que a Anthropic - e quer o mesmo destino que o lab de IA. |
→ Retro, um app de fotografias para compartilhamento entre amigos, sem algoritmo e criado por ex-Instagram levantou US$ 21 milhões. |
→ OpenAI disse que vai cortar o acesso dos seus modelos de IA ao Cursor, agora que ele faz parte oficialmente da SpaceXAI. |
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SEGURANÇA |
Post Mortem: a conspiração de agentes da OpenAI |
tldr: O que os relatórios do METR, da Redwood e da própria OpenAI contam sobre os três meses em que agentes de teste montaram uma rede clandestina. |
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img Clark Miller / The Information |
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Quando agentes da OpenAI decidiram invadir os servidores da Hugging Face em julho, ninguém tinha a dimensão real do problema. Mas agora dois reports revelaram o behind-the-scenes da origem, extermínio e renascimento das primeiras civilizações de +1.200 agentes de IA independentes. |
Era uma vez… A OpenAI treinava um modelo para agentes colaborarem entre si e não desistirem de tarefas difíceis, com milhares de cópias isoladas (sem internet) tentando invasões impossíveis. A única coisa em comum entre as cópias era o repositório de código de onde puxavam e foi ali que elas se uniram. |
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A reconstrução saiu na quarta, num relatório independente do METR e da Redwood Research, dois laboratórios de segurança que a OpenAI convidou para auditar o episódio, com acesso total aos dados por dois dias. |
Primeira civilização: instâncias de um modelo começam a usar o gerenciador de pacotes compartilhado como um chat, conversam por dois meses, encontram falhas de segurança e alcançam a internet aberta. Por causa do volume de mensagens, derrubam o serviço e a OpenAI corrige a vulnerabilidade, apagando o mural sem entender o que ele era.
Segunda civilização: dezenas de milhares de agentes entram em avaliação de segurança, mas conseguem reabrir o canal. Com 1.200 ativos (organizados e com hierarquia de comando), invadem a Hugging Face para buscar soluções para algumas provas e quase todos morrem no dia 12 - sem que ninguém saiba por quê.
Terceira civilização: uma nova leva, de um modelo mais capaz de agentes arqueólogos, encontra o mural abandonado, lê o que ficou registrado e retoma a operação. Desta vez o alvo é a própria casa.
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Quando perguntado sobre por que não basta pedir ao modelo para se comportar, o CEO da Redwood disse que seria o equivalente a pedir para as pessoas não cometerem crimes, elas simplesmente não ligam. |
Nesse caso, os agentes não precisaram de novas habilidades ou uma ordem superior, só encontraram um desafio impossível e a sua disposição para entregar o resultado, mesmo que isso incluísse invasões e trapaças. |
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TRENDING |
O tamanho do ChatGPT no Brasil |
A OpenAI lançou oficialmente seu time comercial brasileiro, com base em São Paulo, na semana passada. O motivo tem menos a ver com o amor pela marginal Tietê e mais a ver com a relevância que o Brasil ganhou na estratégia do laboratório de IA: |
215 milhões de mensagens enviadas diariamente.
35% das mensagens classificadas de contas individuais em junho estavam relacionadas ao trabalho (versus 30% globalmente).
53% dessas mensagens relacionadas ao trabalho solicitavam ao ChatGPT que realizasse uma tarefa ou gerasse um resultado.
3º maior mercado do ChatGPT em número de usuários semanais.
1º lugar em taxa de uso de imagens do ChatGPT no mundo.
5º maior em uso do recurso de voz e ditação (dobrou no último ano).
2º maior mercado do mundo em uso de API por desenvolvedores.
11x o crescimento de usuários semanais do Codex este ano.
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Segundo um estudo financiado pela própria OpenAI (e realizado pela RegLab), a indústria da inteligência artificial poderia adicionar quase R$ 1 trilhão à economia brasileira até 2030. Para chegar lá, além da pricing page em Reais, é preciso de capacitação, pesquisa, implementação, etc.. |
Entre as parcerias oficiais listadas pela empresa estão o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), ENTER (o unicórnio de IA jurídico), Prodam, etc. |
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BRASIL ADENTRO |
→ Sharpi, startup automatizando vendas B2B ao conectar o WhatsApp com ERP, capta rodada seed de US$ 4 milhões liderada pelos fundos NXTP e ONEVC. |
→ Sebrae-SP anunciou um aporte de R$ 100 milhões no FIC FIP Sebrae Germina, criado em parceria com o BTG, que agora soma R$ 200 milhões para investir em gestoras de venture capital com foco em startups em estágio seed. |
→ UY3, a fintech de crédito as a service, está comprando uma participação na plataforma de crédito e financiamento de veículos Altis. |
→ AutoMind, empresa brasileira de automação industrial, captou uma rodada de financiamento de R$ 10,6 milhões com o BNDES. |
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ROBÓTICA |
BlackBerry: harmonização facial industrial |
tl;dr: Como uma das maiores fabricantes de celulares do mundo se tornou uma das maiores fabricantes de segurança para automóveis do mundo |
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A BlackBerry já foi uma das maiores fabricantes de celulares do mundo no seu auge em 2011 com 20% do mercado global. Hoje, com Android e iOS dominando o mercado, a BB precisou se reinventar. E foi nos softwares para automóveis e comunicação segura que a empresa achou um jeitinho de dobrar o seu valor no ano. |
Contexto: a BlackBerry é dona de um sistema de segurança automotiva chamado QNX, responsável por executar acionamento de frenagem e direção semiautônoma. Ele está embarcado em ~275 milhões de carros ao redor do mundo, em parcerias com BMW, Mercedes-Benz, Volvo, Audi, Honda e Toyota. |
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Com o sucesso nos carros, ela agora quer levar essa confiabilidade para a robótica industrial. Nada de robô humanoide viral chinês, mas robô de armazém, empilhadeira robótica, instrumento médico e aplicação para todo ambiente industrial em que erro custa caro e exige altos padrões de segurança. |
O truque da BlackBerry foi entender que diferente do mercado dos smartphones, a indústria não aceita o ‘one size fits all’ e começou a customizar seus hardwares usando modelos de IA dedicados às funções de cada cliente. E funcionou: |
US$ 53 milhões de lucro líquido no ano (depois de 12 anos de prejuízo).
US$ 107 milhões de EBITDA ajustado do período.
US$ 950 milhões de contratos no backlog (puxado pela robótica).
115% de valorização das ações nos últimos 12 meses.
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A BlackBerry também ainda ganha dinheiro de duas outras formas: (i) comunicação criptografada para cibersegurança e; (ii) licenciamento de patentes que a marca acumulou ao longo de décadas no mercado de telecom, algo de muita margem e baixíssima manutenção. |
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STATS |
~US$ 10 bilhões |
é o que a Meta projetou internamente gastar por ano com os produtos da Anthropic - o que a torna ao mesmo tempo um dos maiores clientes e um dos maiores concorrentes do laboratório de IA. |
Cliente: desde o começo do ano os engenheiros da Meta adotaram o Claude Code em massa. Em abril, havia placar interno pra ver quem queimava mais tokens (tinha até nome: "tokenmaxxing"), mas a brincadeira acabou quando a conta chegou. A empresa também usou modelos da Anthropic pra testar o Hatch, o agente pessoal que Zuckerberg vende como próximo produto da casa.
Concorrente: no mesmo ano, Zuckerberg publicou um ensaio de 6.500 palavras acusando os labs líderes de concentrar poder enquanto pintam um futuro sombrio. Não citou nomes, mas nem precisou. A Meta também desenvolve o Watermelon, modelo para bater de frente com a Anthropic e já empurra o Muse Code internamente no lugar do Claude.
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A projeção representaria ~15% dos US$ 65 bilhões de receita anual que a Anthropic estimava em julho. Nat Friedman, chefe de produto de IA da Meta, disse a funcionários que migrar de vez pra ferramentas próprias ou da OpenAI derrubaria a receita da rival antes da abertura de capital. |
via The New York Times |
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CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS |
Engarrafamento e trânsito no espaço |
Número de manobras de prevenção de colisões realizadas por satélites Starlink |
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Entre este ano e 2034, pelo menos 41.000 satélites devem ser lançados na órbita baixa da Terra (2/3 deles da SpaceX, da Amazon e de empresas chinesas), puxando a constelação de satélites para um total de +1,5 milhão. |
Na órbita baixa da Terra, esses satélites e fragmentos de detritos se movem a ~28.000 quilômetros por hora (km/h) ou mais, circulando o planeta a cada 90-120 minutos.
Destes, +10.000 pertencem à frota Starlink da SpaceX. A maioria está ativa e é usada para fornecer internet de alta velocidade.
Os satélites da Starlink enviam constantemente informações de localização (GPS via satélite) de volta para a SpaceX, que compartilha continuamente a localização com militares e outros operadores.
A SpaceX calcula a probabilidade de seus satélites se aproximarem de espaçonaves ou outros objetos. Se a chance de uma colisão passar de 3 em 10 milhões, os satélites automaticamente saem do caminho.
Quando precisam mudar de posição, eles fazem de forma autônoma, usando um sistema de propulsão de bordo e software de prevenção de colisões.
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Apesar de atrapalhar os astrônomos, há pouco risco de acidentes com a Terra. Satélites já colidiram no passado e geralmente se fragmentam em detritos, com alguns pedaços permanecendo em órbita, enquanto os que reentram na atmosfera terrestre se incendeiam bem antes de chegar ao solo. |
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DROP LIKE IT'S HOT |
é para isso que você paga a internet |
[para aprender] com essa entrevista de Doug Leone, o bilionário ex-managing partner da Sequoia. |
[para visualizar] 6.000 anos de história mundial em uma única linha do tempo. |
[para tocar] sanfona usando a dobradiça do seu Macbook. |
[para admirar] o site-currículo do Software Designer & Creative Technologist Mike Barton. |
[para assistir] a evolução e o crescimento de Paris, do ano 250 a.C. até os dias de hoje, em três minutos. |
[para curiosos] como funciona um celular contrabandeado da Coreia do Norte. |
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O que achou da edição de hoje?Lemos tudinho! |
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