| O ronco voltou para a Honda |
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O ano era 2008 e o mercado fonográfico internacional ia mal das pernas. Naquele período, o setor fechou em queda de impressionantes 8%, causada, em grande medida, pela pirataria desenfreada da era MP3. Se você tinha um computador à época, talvez tenha sido parte do problema.
Na prática, a música virou domínio público. O que, para muitos, era o fim de uma indústria gloriosa de discos, que dominou as wishlists por décadas.
Mas a realidade acabou indo por outro caminho. Se a venda de CDs caía em uma espiral, o vinil surgiu na contramão daquele movimento, para nunca mais parar de crescer. Em abril deste ano, veio o report: após 18 anos de altas consecutivas, as vendas de LPs superaram a marca de US$ 1 bilhão nos Estados Unidos.
A conta é mais complexa, mas o movimento segue, em grande medida, o apelo da nostalgia. Para amantes da mídia física, não importa que a cadeia de gravação seja totalmente digital: existe algo de incomparável na sensação de abrir um encarte luxuoso, manusear um álbum com cuidado, apoiar a agulha delicadamente para ouvir o chiado dos sulcos que a plataforma conserva. Nada contra o Spotify, é apenas diferente.
A nostalgia não é exclusividade da música. Hoje, smartwatches recriam designs mecânicos. E-readers investem fortunas em tecnologias que parecem papel. Filtros digitais recriam o que um dia foram considerados defeitos do analógico.
O exemplo mais recente desse retorno à glória analógica chega agora às concessionárias, com o Honda Prelude, o cupê híbrido que recria as sensações que a eletrificação tirou.
Ao toque de um botão, o motorista simula trocas de marcha que o carro não tem, produz som de motor subindo de giro e ensaia reduções com punta-tacco, tudo via software. Seu próprio nome remete a um carro que vendeu centenas de milhares de unidades nos anos 1980.
As questões que traz consigo são duas: primeiro, a performance, que acaba prejudicada quando a emulação nostálgica é ativada; depois, o preço, com R$ 380 mil de entrada que compram SUVs premium completos e esportivos com maior potência. Seguindo o histórico da própria Honda, a decisão deve ir para o consumidor. É nos pátios que a montadora vai testar se o aceno ao passado deve colar – ou se estamos diante de um LP riscado.
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Uma nova embalagemNem sempre a busca por recriar sensações passa pela nostalgia. Em alguns casos, ela quer preservar aquilo que já existe. O que nos leva a outro lançamento recente, dessa vez com as ostras brasileiras em lata que um produtor catarinense vem desenvolvendo.
O projeto em questão é o Amuse Bouche, do chef Helton Costa, que quer "reembalar" as ostras e frutos do mar com o sabor mais próximo possível do original. O produto sai após uma pesquisa de um ano e meio em que o desafio não era colocar a ostra na lata, mas mantê-la boa.
E o motivo é nobre – o lançamento chega em um cenário de crise na maricultura, causado pela instabilidade climática: ainda em abril, Santa Catarina, o principal produtor de frutos do mar do país, perdeu 90% da safra da temporada devido às altas temperaturas do mar.
Essa semana conversamos com Helton, que nos contou o que está por trás (ou dentro) das latas que prometem manter o sabor de um dos alimentos favoritos do luxo.
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MAIS SOBRE O AUTOR
Eduardo do Valle
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), pós-graduado em Novas Tecnologias em Jornalismo (PUCPR) e em Jornalismo Cultural (FAAP/SP). Especialista em cultura e lifestyle, com certificado WSET Nível 2 em Vinhos e passagem por empresas e veículos como LATAM Airlines, Rolling Stone Brasil, GQ Brasil e canal GNT.
COLABORAÇÃO
Luísa Ribeiro
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