14 de setembro de 2026Ministros exigem celular de Vorcaro; Mendonça resiste Fotos: Antônio Augusto, Gustavo Moreno e Rosinei Coutinho / STF O fim de semana que antecede uma das sessões mais importantes e tensas na história do Supremo Tribunal Federal (STF), que julga amanhã a conduta do ministro Alexandre de Moraes, não tinha como ser calmo. Após uma série de decisões, despachos e manifestações, o domingo terminou com os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Moraes determinando que uma cópia dos dados brutos do celular de Daniel Vorcaro fosse entregue até às 23h em seus gabinetes. Os ministros pediram urgência ressaltando que o julgamento da ação contra Moraes é amanhã. Zanin argumenta que não só André Mendonça, relator do caso e acusador de Moraes, como a defesa de Vorcaro e até os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou o escândalo Master no Congresso tiveram acesso à cópia dos dados brutos do aparelho do ex-banqueiro. (UOL) Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, atendendo a um pedido dos três ministros, havia determinado que a Polícia Federal prestasse informações sobre a custódia e o estado do material extraído do celular de Daniel Vorcaro. (Correio Braziliense) Em resposta, a PF informou que o material original extraído do celular de Vorcaro permanecia sob custódia da corporação. Além disso, a Polícia Federal garantiu ter plenas condições técnicas de produzir e encaminhar imediatamente cópias idênticas da extração aos gabinetes dos ministros que solicitaram acesso. A PF esclareceu que os dados enviados ao gabinete do ministro André Mendonça, em março deste ano, não correspondem ao material original. Segundo a corporação, o conteúdo original jamais deixou sua custódia. O que foi encaminhado a Mendonça foi uma cópia solicitada pelo próprio gabinete. (Metrópoles) Já Mendonça afirmou que uma eventual retirada do sigilo das informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro poderia “contribuir para tumultuar o julgamento” previsto para amanhã. O ministro reiterou que todo o material utilizado no julgamento de terça-feira está disponível, na íntegra, aos demais ministros da Corte. Segundo Mendonça, ele dispõe “exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação” que os colegas que participarão da sessão. Segundo o ministro, a divulgação dos dados poderia gerar questionamentos e desviar o processo do objeto que será analisado pelo plenário. (CNN Brasil) Antes disso tudo, Fachin assumiu a relatoria da discussão sobre a suposta relação entre Moraes e Vorcaro. O presidente do STF também determinou o envio ao seu gabinete dos processos relacionados às investigações sobre as fraudes do INSS e do Banco Master. Ao assumir a relatoria do caso, Fachin passa a conduzir as medidas a serem tomadas no procedimento. A mudança também pode alterar o rito da sessão que decidirá se será aberta ou não uma investigação contra Moraes. (g1) Fachin também usou o fim de semana para negar o pedido de Alexandre de Moraes para que o plenário da Corte decidisse conjuntamente sobre a abertura ou não de investigações contra ele e o ministro André Mendonça. Com a decisão, Fachin manteve a sessão dedicada exclusivamente à análise do relatório da Polícia Federal (PF) que apontou mais de 50 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. No mesmo despacho, Fachin marcou para 23 de setembro uma sessão para analisar questionamentos sobre a condução de Mendonça nos casos relacionados ao Banco Master e às fraudes no INSS. (g1) Apesar disso, a estratégia dos ministros ligados a Moraes, conta a coluna de Malu Gaspar, continua a ser unir os dois julgamentos. O pedido deve ser apresentado na sessão de amanhã como uma questão preliminar, que deve ser votada pelo colegiado antes de se entrar no mérito. Caso tenham sucesso, o julgamento de Moraes também ficaria para o dia 23. Mas há uma incógnita para o funcionamento da estratégia: o voto da ministra Cármen Lúcia. Segundo Bela Megale, ela vem sofrendo pressões dois dois lados e já evita atender o telefone. A seus interlocutores, tem dito apenas que vai “fazer a coisa certa”. (Globo) Já o ministro Flávio Dino usou o domingo para retirar o sigilo dos documentos de uma investigação sobre o possível direcionamento de emendas parlamentares no Estado de São Paulo para financiar o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão determina que o STF centralize o inquérito que tramitava na Polícia Civil de São Paulo e inclui o levantamento do sigilo dos autos e dos atos investigativos já documentados. Segundo Dino, a medida busca garantir transparência e evitar vazamentos seletivos. (BBC) Dino também autorizou a quebra do sigilo fiscal da empresária Karina Ferreira da Gama e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), do qual ela é dona. A entidade mantém um contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de serviços de wi-fi na cidade. A suspeita é que parte dos recursos do contrato tenha sido desviada para Go Up Entertainment, também de propriedade de Karina, entre outros destinatários. A empresa é a produtora de Dark Horse. A quebra do sigilo já havia sido solicitada pela Polícia Civil de São Paulo, mas não foi autorizada pela Justiça Paulista. (Globo) A Polícia Científica de São Paulo recusou realizar perícia técnica em telefones e notebooks apreendidos na primeira operação policial a mirar a produtora Karina Gama porque a Polícia Civil de São Paulo os lacrou com folga suficiente para a passagem de um cabo USB. Isso quer dizer que eles não estavam lacrados e podem ter sido manipulados antes de serem entregues à perícia. (Metrópoles) O ministro ainda afirmou que as investigações em curso reúnem indícios de que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) pode ter exercido papel de liderança e centralidade em um possível esquema criminoso de desvio de recursos. Segundo Dino, a investigação faz referência recorrente ao deputado e, no campo hipotético da apuração, ele teria papel de liderança na suposta estrutura criminosa. (g1) Corrida brazuca 
Um “memorando estratégico” elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro e filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, apresenta diretrizes para uma eventual parceria entre Brasil e Estados Unidos na exploração de minerais críticos e terras raras durante um possível governo de Flávio. Revelado pelo portal Amado Mundo, o documento tem 22 páginas e foi elaborado em março deste ano. A apresentação, em formato de PowerPoint, traz na capa a inscrição “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”. O memorando propõe transformar o Brasil em um dos principais fornecedores e centros de processamento de minerais críticos alinhados aos Estados Unidos no Ocidente. (Amado Mundo) Leia aqui o documento na íntegra. (Amado Mundo) O jornalista também revelou que o empresário carioca Pedro Sang, articulador no Brasil da organização trumpista Rockbridge Network, atua na campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Com as denúncias, o PT entrou com uma notícia de fato no STF pedindo que se investigue um possível investimento estrangeiro na campanha do candidato do PL à Presidência. (Amado Mundo e CNN Brasil) Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta manhã (íntegra) mostra Lula com 42% das intenções de voto no 1º turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, de 8 de setembro, eles apareciam com 39% e 35%. Completam o cenário estimulado o escritor Augusto Cury, com 6%; Ronaldo Caiado, com 5%; e Renan Santos, com 2%. Brancos, nulos e nenhum somam 4%, e os indecisos, 2%. No voto espontâneo, em que nenhum nome é lido ao entrevistado, o avanço mais nítido é de Flávio: de 31% para 34%, enquanto Lula foi de 39% para 40%. A parcela de quem não sabe ou não responde nesse formato caiu a 10%, o menor patamar da série. No 2º turno, Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro, 46%, ante 46% e 45% na semana passada. A pesquisa ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 11 e 13 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais. (Meio)
Informar-se bem não precisa significar viver com o noticiário aberto. Em tempos de democracias instáveis e informação a todo instante, ter fontes de confiança também é saber que você pode sair do fluxo sem perder o que importa. No Meio, fazemos essa curadoria todos os dias, com análises em texto, áudio e vídeo, para você acompanhar as notícias com clareza e profundidade. Faça da informação de qualidade um hábito mais saudável. Assine o Meio Premium. Cotidiano DigitalO CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu em um artigo a desaceleração da corrida pelo desenvolvimento de inteligência artificial. Segundo ele, os avanços recentes da tecnologia podem superar a capacidade humana de compreender e controlar os sistemas. Amodei afirmou que a IA já pode ser usada em ciberataques e bioterrorismo e provocar graves impactos econômicos. Ele também alertou para o chamado “autoaperfeiçoamento recursivo”, no qual os sistemas passam a contribuir para seu próprio desenvolvimento. Segundo o executivo, uma rede de agentes de IA poderia, em um cenário extremo, assumir o controle de toda a internet em seis a 12 meses. Segundo Amodei, porém, desacelerar demais também representa um risco, pois poderia deixar a tecnologia nas mãos das “pessoas erradas”. (CNN)
Leia aqui o artigo de Amodei na íntegra. O artigo de Amodei movimentou as discussões sobre os avanços e os perigos da inteligência artificial. Debates, artigos e ensaios foram escritos ao longo do final de semana analisando as propostas do CEO da Anthropic. Dois de seus principais competidores, o CEO da Open AI, Sam Altman, e o multibilionário Elon Musk, foram para a internet comentar o que Amodei escreveu. Em postagem no X, Altman disse concordar com Amodei que é preciso controlar a velocidade de desenvolvimento da IA. Musk foi mais sucinto e escreveu: “Dario está certo”. (X)
O presidente americano, Donald Trump, fez pouco caso dos alertas de Amodei, Altman e Musk. Trump minimizou os riscos da inteligência artificial e defendeu que os Estados Unidos mantenham a liderança sobre a China “Quem vencer a IA vence”, afirmou Trump durante visita à Irlanda. Seu governo afirma que manter a liderança tecnológica dos EUA é uma questão de segurança nacional. No Congresso, republicanos defendem cautela na regulamentação. O presidente da Câmara, Mike Johnson, disse no domingo que uma regulação acelerada poderia “sufocar a inovação americana” e fazer os EUA perderem a corrida tecnológica para a China. (BBC) ViverUma nova norma da Anac, Agência Nacional de Aviação Civil, prevê multa de R$ 17,5 mil, além de proibição de voar por até 12 meses para os passageiros indisciplinados que causem problemas a outros viajantes ou aos comissários. As empresas aéreas devem compartilhar nomes dos punidos com outras companhias. Trata-se de uma tentativa de diminuir as estatísticas de importunações sexuais a bordo, confusões e violência em aeroportos e nas aeronaves no país. Dados da Abear, Associação Brasileira das Empresas Aéreas, mostram que o país teve 881 casos de indisciplina no transporte aéreo de janeiro a junho de 2026. Deste total, 154 poderiam ter comprometido a segurança operacional. (UOL) Estudos climáticos recentes apontam que a redução mundial das emissões de enxofre e outros poluentes industriais, embora benéfica para a saúde humana, está eliminado um escudo térmico que continha parte do calor do planeta. O fenômeno revela que a Terra pode ser mais sensível ao acúmulo de gases de efeito estufa do que as projeções anteriores estimavam, acelerando o ritmo do aquecimento global. (g1) CulturaO filme Woman Unknown, dirigido pela dinamarquesa May el-Toukhy, conquistou o Leão de Ouro do Festival de Veneza 2026. Trata-se do prêmio máximo do evento, destinado à única obra da competição que era dirigida por uma mulher, o que foi abordado no discurso de agradecimento de May. Woman Unknown também rendeu o prêmio de melhor atriz, chamado de Coppa Volpi, a Mathilde Arcel. O ator John Malkovich conquistou o Coppa Volpi de melhor ator com Cavalo Selvagem Nove, de Martin MacDonagh. Já o filme Retorno a Buenos Aires, coprodução brasileira e italiana, ganhou dois prêmios da crítica. Dirigido por Marco Bechis, o longa ganhou como melhor filme, enquanto Adriano Giannini levou o troféu de melhor ator. (Globo e UOL) A cidade de Roma revelou, pela primeira vez, o maior mosaico de parede romano já encontrado em uma parede de dois mil anos de idade, chamado de O Grande Mosaico. Foi revelado também um afresco colorido, chamado de Cidade Pintada. O anúncio é o desfecho de um projeto de restauração que durou 14 anos. As obras estão sob o Monte Ópio, onde o imperador Nero construiu sua Casa Dourada entre 64 e 68 d.C. Toda a área está situada a poucos passos do Coliseu e foi transformada em termas públicas pelo imperador Trajano em 109 d.C. As duas obras serviam de cenário para os frequentadores das termas. (CNN)

Você já conferiu a última Edição de Sábado? Rubens Glezer, professor de Direito Constitucional da FGV, discute o que seria necessário para reformar o STF em meio à maior crise de sua história. Priscila Cruz, do Todos pela Educação, analisa as visões dos presidenciáveis para o ensino no país. E Caio Mello conta como está a disputa no mercado dos smartphones dobráveis depois do lançamento da Apple. No Meio, o que importa entender vem à tona. Leia a edição completa. |