Lula acena ao mercado com promessa de responsabilidade fiscal

Espere o resultado da busca para ter acesso ao conteúdo desejado
Demora um pouco, mas você terá acesso aos melhores pratos e dicas de saude!
 
Veja no navegador canalmeio.com.br
6 de novembro de 2026
 

Prezadas leitoras, caros leitores —

Bastou circular a notícia de um possível encontro entre o presidente Lula e o economista André Lara Resende para o mercado reagir. A Bolsa caiu, o dólar passou de R$ 5,50 e os juros futuros subiram. O encontro não aconteceu. Dias depois, o Copom manteve a Selic em 13,75% e citou a inflação acima do teto da meta como justificativa.

O episódio não deixa espaço para dúvidas: a pergunta central sobre o quarto mandato de Lula é qual diagnóstico vai orientar sua política econômica. Só que a resposta ainda não está clara.

Nesta Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, Deborah Bizarria, economista e colunista do Meio, examina os caminhos possíveis do governo, acompanha a troca de artigos entre Lara Resende e Samuel Pessôa e formula sua própria análise sobre as saídas para a enrascada fiscal. Para Lara Resende, os juros são o motor da dívida, e baixá-los recuperaria a confiança nas contas públicas. Para Pessôa, os gastos crescem acima do que a economia consegue sustentar, e só o controle dessas despesas abre caminho para juros menores. Deborah situa essa divergência no embate mais antigo entre ortodoxia e heterodoxia e lembra que Lula já governou com nomes em lados opostos, como Henrique Meirelles e Guido Mantega.

E tem mais. Depois da “psicose política” e do esgotamento emocional com a eleição, como fica a saúde mental? Caio Mello ouviu especialistas e nos conta como lidar com a tensão pós-eleitoral. E Carla Melibeu fala de um cuidadoso processo que restaurou a cor original de relíquias egípcias. O resultado vai ser exposto a partir da semana que vem em um museu na Inglaterra.

O Meio leva até você argumentos, com as contas na mesa, para que você forme sua própria opinião. Assine o Meio Premium.

Os editores.

Lula acena ao mercado com promessa de responsabilidade fiscal

featured image

Foto: Evaristo Sá / AFP

Em seu primeiro evento oficial desde a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de mandar um recado tranquilizador para o mercado, cada vez mais preocupado com o desequilíbrio das contas públicas. Lula afirmou que o Brasil precisa manter a responsabilidade fiscal e a estabilidade econômica para atrair investimentos estrangeiros. A declaração ocorreu durante uma reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, horas depois de o petista discutir os rumos da economia com economistas, em meio às pressões por um ajuste nas contas públicas. No evento, Lula defendeu parcerias internacionais para a exploração e industrialização de minerais estratégicos e afirmou que o Estado não deve concentrar sozinho essas atividades. Segundo o presidente, investidores exigem segurança jurídica, equilíbrio fiscal e previsibilidade. “Ninguém vai querer fazer investimento numa economia totalmente desordenada”, disse. (g1)

O governo ainda não anunciou, mas estuda mudar o arcabouço fiscal para que o congelamento de gastos feito quando a arrecadação fica abaixo do previsto passe a reduzir também o limite de despesas dos anos seguintes. Hoje esse bloqueio vale apenas para o ano em que é aplicado. Em 2026, por exemplo, o governo congelou R$ 13,65 bilhões, valor que seria descontado do teto de 2027 se o bloqueio for mantido até dezembro. A equipe econômica também avalia permitir o congelamento de parte das despesas obrigatórias, que hoje ficam de fora dessa regra, e passar a perseguir o centro da meta fiscal em vez do piso. As propostas ainda precisam do aval de Lula, que resiste a medidas que possam soar como quebra de promessas de campanha. (Folha)

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o quarto mandato de Lula precisa dar “as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos” para que a taxa de juros seja reduzida. A declaração foi feita depois de uma reunião no Palácio da Alvorada entre o presidente, ministros, ex-ministros como Fernando Haddad e Guido Mantega e economistas como Laura Carvalho (veja lista dos presentes). Mais tarde, Durigan ainda afirmou que não há “fórmula mágica” para a economia brasileira, mas que o governo vai “manter compromissos fiscais”, mesmo sem ainda apresentar as medidas de ajuste nas contas públicas. (CNN Brasil e g1)

O mesmo Durigan também disse que o governo mantém janeiro de 2027 como a data de início da reforma tributária e que não vai punir empresas de boa-fé com dificuldade para se adaptar, com possibilidade de estender prazos de multas e de entrega de informações. Na véspera, o governo havia publicado a medida provisória que define as alíquotas do Imposto Seletivo, o chamado “imposto do pecado”, cobrado sobre produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente. Os cigarros, por exemplo, terão alíquota de 66,7%, além de uma parcela fixa de R$ 3,50, enquanto as bebidas açucaradas pagarão 2,6% e as cervejas, 4,2%. A extração de minérios, petróleo e gás ficará isenta até o fim de 2027, enquanto o Congresso não define as regras permanentes. (InfoMoney e CNN Brasil)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitiu uma ação de investigação judicial eleitoral contra o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin (PSB) por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2026. Apresentada pelo partido Novo, a ação pede a cassação da chapa e a declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos. O partido acusa o governo de utilizar medidas de forte apelo popular para favorecer a reeleição de Lula. A ação relaciona 35 iniciativas anunciadas em 2026, sendo 12 durante o período eleitoral, entre elas o reajuste do Bolsa Família, subsídios aos combustíveis, programas de renegociação de dívidas e a proibição das apostas esportivas. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, considerou que a ação apresenta elementos suficientes para a abertura da investigação e concedeu cinco dias para a defesa dos investigados. (UOL)

O senador Flávio Bolsonaro afirmou, em entrevista ao New York Times, que organizou sozinho sua fuga do Brasil para os Estados Unidos, sem receber qualquer apoio de governos estrangeiros. A afirmação contrasta com relatos de autoridades americanas de que um funcionário da Casa Branca providenciou o avião que levou Flávio a Miami e de que sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada pessoalmente pelo presidente Donald Trump. Antes de chegar ao território americano, o senador passou pelo Equador e pela Argentina, onde foi recebido por um assessor do presidente Javier Milei. Flávio afirmou que tomou a decisão de fugir em conjunto com a mulher, mas negou ter contado com apoio externo. Questionado sobre os detalhes da operação, disse que levará o segredo “para o túmulo”. (New York Times)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo em meio à crise provocada pela liquidação do banco digital Ueno e à pressão da oposição pela abertura de um processo de impeachment. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, até março de 2025. A crise começou nesta terça-feira, quando o Banco Central determinou a liquidação do Ueno após identificar irregularidades em empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio banco. A instituição, que tinha cerca de 3 milhões de clientes, administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo fundos destinados ao pagamento de aposentadorias e benefícios sociais. (g1)

A renúncia de Peña,
no entanto, não impediu que a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovasse por unanimidade a abertura de um processo de impeachment contra ele. Os parlamentares também autorizaram, por 48 votos a 30, a abertura de um processo contra o vice-presidente Pedro Alliana. (Estadão)

Brasileiros e descendentes de brasileiros que vivem no Paraguai estão entre os milhões de clientes prejudicados pela quebra do Ueno Bank, instituição financeira que atendia cerca de 40% da população do país. A intervenção do Banco Central paraguaio bloqueou contas e investimentos, deixando correntistas sem acesso aos recursos e provocando dificuldades para famílias e comerciantes. (Globo)

Agência de empregos

Marcelo Martinez

Toda manhã, esta newsletter chega de graça a 250 mil inscritos. Na hora do almoço, o Central Meio passa quase duas horas ao vivo no YouTube, também aberto. Nosso propósito é ajudar as pessoas a se informarem além do que aparece no feed. O que viabiliza tudo isso são nossos assinantes premium. Quer ajudar o Meio a chegar a mais pessoas? Vire também um assinante.

Viver

O governo federal estima investir entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões no primeiro ano da retomada do Ciência sem Fronteiras, programa de bolsas de estudo no exterior que funcionou entre 2011 e 2017. A iniciativa deve ser relançada com prioridade para áreas estratégicas como inteligência artificial, engenharia, matemática aplicada e pesquisas relacionadas à defesa e à soberania nacional. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse que os recursos para o programa estão garantidos, apesar das pressões por um ajuste nas contas públicas. (Estadão)

Onze anos depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), pesquisas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) ainda encontram alterações no ecossistema da bacia do Rio Doce. A equipe registrou larvas de peixes com deformidades, ovos que não se desenvolvem e peixes com tumores, além de amostras com contaminantes acima dos limites que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tolera em alimentos. Os indicadores de contaminação, porém, melhoraram com o tempo, e uma portaria dos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente autorizou a volta da pesca profissional num trecho do mar perto da foz do rio, proibida havia mais de dez anos. (g1)

Trocar laticínios por alternativas vegetais com baixa fortificação pode levar jovens e mulheres à falta de micronutrientes essenciais, como iodo, cálcio, riboflavina e vitamina B12, aponta estudo da Universidade de Surrey, no Reino Unido. Para os pesquisadores, o caso mais grave é o do iodo, que, em falta, pode afetar a tireoide e, em caso de gravidez, prejudicar o desenvolvimento cerebral do bebê. O estudo foi publicado pela revista The Lancet Planetary Health. (Guardian)

Cultura

Rio e São Paulo estão em sintonia neste fim de semana. Começou ontem e vai até 1º de dezembro o 21º Festival de Cinema Italiano no Brasil, com 24 filmes em sessões gratuitas em 88 cidades de todos os estados do país. Mais de 15 títulos também estão disponíveis de graça no Belas Artes à La Carte, com acesso pela página de cada filme no site do festival. No Rio, participam o CCBB, a Faculdade de Letras da UFRJ, o Istituto Italiano di Cultura e o Centro Cultural Justiça Federal. Em São Paulo, o festival passa pelo CCBB, Sesc Pompeia, Cine Belas Artes, Cinusp, Cinépolis Jardim Pamplona, Auditório do Ibirapuera e Istituto Italiano di Cultura, entre outros espaços. Como sempre, mais dicas do que fazer em São Paulo na edição desta semana da newsletter Ladrilho Hidráulico.

Cinco anos após a morte de Marília Mendonça, completados na quinta-feira, dia 5, o Prime Video prevê para 2027 o lançamento do filme Marília, sobre a vida da cantora. Conhecida como Rainha da Sofrência e vencedora de um Grammy Latino, ela morreu aos 26 anos na queda de um avião no interior de Minas Gerais. Com cenas gravadas em Goiânia, onde ela cresceu e viveu parte da vida adulta, o longa teve as filmagens encerradas em setembro e chegará ao streaming depois de uma série documental sobre sua trajetória. (Globo)

O Brasil recebe pela primeira vez o AI Film Awards, festival internacional de filmes feitos com inteligência artificial. A mostra reúne 70 filmes produzidos com ferramentas de IA, entre eles o brasileiro Submersivos, que abre o evento, além de títulos da Espanha, dos Estados Unidos, da China e da Coreia do Sul. O festival começa hoje e vai até domingo no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo. (Agência Brasil)

Cotidiano Digital

O Google, a Meta e o TikTok foram à Justiça para tentar barrar uma lei da Califórnia que proíbe as redes sociais de oferecer a menores de 16 anos recursos que estimulam o uso compulsivo. Pelo texto, as contas infantis que tiverem funções como recomendações personalizadas e reprodução automática de vídeos terão de ser excluídas. O governador Gavin Newsom sancionou a lei em setembro e diz que a segurança das crianças precisa estar no centro de qualquer debate sobre tecnologia. As empresas entraram com ações separadas, mas estão usando o mesmo argumento. Para elas, o estado quer decidir no lugar dos pais como o conteúdo chega às crianças, o que fere a liberdade de expressão garantida pela Constituição americana. (Reuters)

Discretamente, o TikTok lançou um aplicativo próprio para o TikTok Shop em Singapura, na Malásia, na Tailândia e nas Filipinas. O app reúne recomendações personalizadas de produtos, compras por transmissões ao vivo e vídeos curtos, pagamento e rastreamento de pedidos, além de ofertas que só valem para quem compra por ele, como o frete grátis. Com a separação, a empresa tenta alcançar consumidores que não usam a rede social e disputar espaço diretamente com empresas como a Amazon e a Temu. Ainda não há informação sobre a chegada do aplicativo a outros países. (TechCrunch)

Meio em vídeo. No novo episódio de Pedro+Cora, Pedro Doria e Cora Rónai discutem como a inteligência artificial está transformando radicalmente o mercado de trabalho e o funcionamento das empresas. A partir do exemplo da Anthropic, a dupla analisa uma revolução em que máquinas já superam humanos em horas de trabalho e produtividade, enquanto profissionais experientes se tornam cada vez mais necessários para supervisionar e orientar o trabalho das inteligências artificiais. O programa também aborda o risco de uma geração de jovens profissionais perder a oportunidade de adquirir experiência, os desafios da formação dos trabalhadores do futuro e o potencial da IA para aumentar a produtividade no Brasil. Confira aqui. (YouTube)

A programação do Meio segue firme no fim de semana. Neste sábado, Mariliz Pereira Jorge apresenta De Tédio a Gente Não Morre, e no domingo tem Diálogos com a Inteligência, apresentado por Christian Lynch. Quer ficar por dentro de tudo? Estamos no YouTube, Instagram, TikTok, X, Threads, Bluesky e Facebook. Escolha a sua rede social e siga o Meio.

Propaganda