4 de novembro de 2026
Democratas levam o Congresso em derrota histórica de Trump
Foto: Ronaldo Schemidt / AFP
O Partido Democrata americano teve uma vitória histórica nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conquistando o controle da Câmara e do Senado pela primeira vez em 20 anos. Os democratas não conseguiam controlar as duas casas desde 2006, nas eleições de meio de mandato durante o segundo governo de George W. Bush. Até o início desta manhã, a oposição havia chegado à marca de 54 senadores, três a mais que a maioria da casa, com disputas acirradas ainda no Mississippi e no Alasca. Na Câmara, os democratas elegeram, até o momento, 229 cadeiras, tirando republicanos de 27 delas, contra 139 do partido de Trump. Mas a “onda azul” não ficou só no Legislativo. No pleito desta terça-feira, os democratas chegam a 27 governadores, podendo ainda levar Kansas, Nevada e o tradicionalmente republicano Alasca. A conquista democrata é uma derrota de proporções também históricas para o presidente Donald Trump, que ao longo dos dois primeiros anos de seu segundo mandato, controlou tanto a Câmara quanto o Senado, o que lhe permitiu adotar uma série de políticas controversas no país. As eleições deste ano foram marcadas por um forte teor plebiscitário em relação às decisões tomadas por Trump, em especial àquelas ligadas à economia e à política externa. A noite desta terça-feira marca o início do fim da era Trump na política dos Estados Unidos. (CNN)
Entre todas as conquistas democratas, a mais emblemática aconteceu no Texas, bastião dos republicanos há décadas. O seminarista presbiteriano James Talarico, de apenas 37 anos, foi eleito senador, apesar do apoio de Trump e do vice-presidente JD Vance a Ken Paxton; além dos cerca de US$ 200 milhões investidos pelo bilionário Elon Musk em iniciativas para manter a cadeira sob controle republicano. Trump também participou da campanha com ataques pessoais a Talarico, mas não conseguiu impedir a derrota de seu aliado. Como se não bastasse, a democrata Gina Hinojosa conquistou o governo texano, desalojando o veterano Gregg Abbott, que tentava o quarto mandato. (New York Times)
Já a democrata Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, venceu a eleição para o governo da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora nos Estados Unidos. A vitória surpreendeu os republicanos, que eram considerados favoritos na disputa com o empresário bilionário Rick Jackson. Pioneirismo também de David Crowley, primeiro negro eleito governador de Wisconsin. E o Senado terá maior diversidade em 2027. New Hampshire elegeu Chris Pappas, abertamente gay, enquanto o muçulmano Abdul El-Sayed, representante da ala esquerda dos democratas, levou a cadeira de Michigan. (Guardian)
Trump aceita o fracasso, mas não a culpa por ele. Em entrevista, ele afirmou que quer trabalhar em conjunto com os democratas e atribuiu a derrota ao fato de seu nome não estar nas cédulas de votação. O presidente voltou a defender a guerra contra o Irã e o apoio a polêmicos candidatos ao Senado no Texas e na Carolina do Sul, ambos derrotados. (New York Times)
E em um movimento que pegou todos de surpresa, Trump anunciou que a ajuda militar anual de US$ 4 bilhões que os Estados Unidos dão a Israel não será renovada para o ano que vem. “Eles não precisam”, afirmou. O apoio incondicional a Israel vem perdendo apelo nos EUA desde a invasão da Faixa de Gaza, após os atentados terroristas do Hamas em outubro de 2023. (ABC News)
Flávia Tavares: “A derrota de Trump tem muito a ver com o que aconteceu por aqui duas semanas atrás, com a virada histórica do presidente Lula. Caso essa onda democrata se confirme nos EUA, e alguns nomes em particular se elejam, pode estar configurada uma dupla de eleições no Ocidente que redefinem a maneira como as democracias sobrevivem. Mais do que isso, revidam contra projetos autoritários de direita.” A análise no Cá entre Nós. (Meio)
A crise da democracia que vem se espalhando desde a década passada se manifesta no “futuropessimismo”, a descrença, difundida em partes da sociedade, na capacidade de reformar coletivamente o futuro. No Meio Político desta semana, exclusivo para assinantes premium, Creomar de Souza mostra como essa descrença abre espaço para grupos antissistêmicos e quais as estratégias para enfrentá-la. Se você ainda não é um assinante premium, assine agora.
Inflação lidera pleito nos EUA

O Senado aprovou, em dois turnos, a PEC da Segurança Pública, sem incluir a proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários. Como não houve alterações de mérito em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta segue para promulgação. A votação ocorreu após um impasse entre governo e oposição sobre a redução da maioridade penal, que levou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a retirar a PEC da pauta em 15 de outubro. Para viabilizar a aprovação, os senadores decidiram encaminhar as emendas sobre o tema para tramitação separada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Uma das propostas, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), prevê reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo, e para 16 anos nos demais delitos. Outra emenda, do líder do PT, Camilo Santana (CE), estabelece a redução para 16 anos apenas em crimes hediondos. As duas propostas serão analisadas separadamente da PEC da Segurança Pública. (CNN Brasil)
E o presidente Lula deve assinar nos próximos dias uma medida provisória para criar o Ministério da Segurança Pública, após a aprovação da PEC da Segurança pelo Congresso. Apesar da formalização, a expectativa de integrantes do governo é que a nova pasta só entre em pleno funcionamento em 2027, depois de um período de transição. A criação do ministério exigirá o remanejamento de recursos e a reorganização da estrutura do Ministério da Justiça. O governo ainda discute quais órgãos ficarão subordinados à nova pasta, incluindo a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. (Folha)
O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a indisponibilidade da mansão em Angra dos Reis (RJ) que é alvo de uma disputa entre o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), e o atacante Richarlison. O jogador afirma que o imóvel, que pertenceu à cantora Clara Nunes, foi tomado pelo advogado. A restrição foi registrada na matrícula da propriedade após o bloqueio dos bens da WT Administração de Imóveis e Bens, empresa ligada a Willer. A decisão faz parte de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas online. (Metrópoles)
Em outubro, sob um vídeo do Ponto de Partida no YouTube, um espectador escreveu: “Sou de esquerda, mas fiel ouvinte do Ponto de Partida e do Meio.” No Instagram, outro deixou o recado do lado oposto: “Sou de direita […] Ainda discordo de várias coisas, mas tem meu respeito.” Os dois cabem no mesmo lugar por causa de como o Meio se paga: com as assinaturas de milhares de pessoas que não pensam igual e com anúncios que levam a marca à vista. Como ninguém paga a conta sozinho, ninguém manda na redação. Para ampliar o seu repertório, torne-se parte disso com a assinatura premium.
Viver
Cerca de 34 mil plataformas ilegais de apostas continuam funcionando no Brasil, mesmo após a proibição das bets pelo governo federal. O número consta de levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), realizado pela plataforma LegitBet. Em 25 de setembro, o governo editou a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade de bets em todo o país. A justificativa foi o impacto das apostas sobre o endividamento das famílias, sobretudo as de menor renda. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a redução dos gastos com apostas já teria provocado uma recuperação do consumo de produtos essenciais. A entidade registrou crescimento de 6,5% nas vendas dos supermercados entre 5 e 11 de outubro. (Globo)
Estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que mulheres ocupam apenas 30,5% dos cargos de gestão em empresas ao redor do mundo. A proporção cresceu cerca de 6,5 pontos percentuais em três décadas, quando era de aproximadamente 24%. O levantamento, que reuniu dados de milhares de empresas em 99 países, também identificou sinais de redução na implementação de programas de apoio às mulheres, como a licença-maternidade. (Reuters)
O telescópio espacial Swift, da Nasa, deve cair na Terra nas próximas horas, após quase 22 anos em órbita. A reentrada na atmosfera ocorrerá de forma descontrolada, e ainda não é possível determinar o local exato da queda. Segundo estimativas da Aerospace Corporation, o equipamento poderá atingir a atmosfera por volta das 6h desta quarta-feira, no horário de Brasília, com margem de incerteza de 12 horas para mais ou para menos. O satélite vinha perdendo altitude desde 2025 e ultrapassou o ponto em que sua queda se tornou inevitável. Uma missão emergencial de resgate, organizada pela Nasa em parceria com uma empresa privada, fracassou. Durante seu período de operação, o Swift desempenhou um papel importante na identificação de explosões cósmicas e no alerta a outros observatórios astronômicos. (El País)
Cultura
O Parlamento italiano analisa um projeto de lei para criar uma comissão responsável por examinar a origem de obras de arte e outros bens culturais confiscados, saqueados ou vendidos sob coerção durante a perseguição aos judeus pelo regime fascista italiano e pelas forças nazistas, entre 1933 e 1945. A comissão terá cinco integrantes e ficará responsável por avaliar os casos e decidir sobre a restituição dos bens aos antigos proprietários, seus herdeiros ou, na ausência de sucessores, à comunidade judaica do país. A iniciativa aproxima a Itália de outros países europeus que já instituíram procedimentos para a devolução de bens culturais confiscados durante a perseguição aos judeus. (Art Newspaper)
Após 20 anos, a drag queen e apresentadora americana RuPaul voltará ao Brasil para uma apresentação como DJ. O evento será em 22 de janeiro de 2027, na Vibra São Paulo, casa de shows da capital paulista. Criadora do reality show RuPaul's Drag Race, que ajudou a popularizar a arte drag na década de 2010, a artista deve tocar músicas autorais e clássicos do pop. (Folha)
A série Blue Eye Samurai, vencedora de quatro prêmios Emmy em 2024, incluindo o de melhor programa de animação, terá sua segunda temporada lançada pela Netflix em janeiro de 2027. Ambientada no Japão do século 17, a animação adulta acompanha Mizu, uma guerreira mestiça que busca vingança contra quatro homens brancos, incluindo um que ela acredita ser seu pai. Nos novos episódios, a personagem seguirá para Londres, onde encontrará antigos inimigos. A Netflix confirmou também uma terceira e última temporada, prevista para 2028. (Variety)
Cotidiano Digital
A Justiça de São Paulo proibiu a Meta de coletar e usar sem autorização conteúdos jornalísticos de veículos ligados à ANJ, à Abert e à Aner, inclusive para treinar seus sistemas de inteligência artificial. A decisão provisória do juiz Guilherme Madeira Dezem suspende parte dos novos termos comerciais da empresa que entrariam em vigor em 20 de novembro e condicionavam o uso das plataformas à liberação de reportagens, fotos e vídeos. A companhia também fica obrigada a manter ativas as contas dos veículos que recusarem as condições, sem nenhum tipo de punição. A multa por descumprimento é de R$ 1 milhão por dia, limitada a R$ 100 milhões. Segundo as associações, é a primeira decisão conhecida no mundo contra a mudança da Meta. (UOL)
A Binance revelou que os hackers responsáveis pelo roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da corretora chegaram às carteiras digitais da empresa por meio de uma falsa entrevista de emprego. Segundo relatório divulgado pela companhia, um engenheiro baixou um código malicioso em setembro depois de participar de uma reunião virtual com o suposto presidente de uma empresa fictícia. Com o computador infectado e uma ferramenta interna de inteligência artificial, os invasores tomaram o controle dos sistemas de dois desenvolvedores da equipe responsável pelas carteiras e executaram o ataque em 29 de outubro. Apesar de o FBI ter atribuído a ação a um grupo norte-coreano, Pyongyang negou a autoria em comunicado assinado pela irmã do líder Kim Jong-un, Kim Yo-jong, que classificou as acusações como uma provocação política dos Estados Unidos. (Reuters e BBC)
A Apple vai exigir que os desenvolvedores informem se seus aplicativos permitem encontros, relacionamentos ou interações sexuais entre usuários reais ou com companheiros virtuais. Dessa forma, os programas com esses recursos passarão a ter classificação etária mínima de 18 anos na App Store, enquanto os que permitem compartilhar a localização com outras pessoas poderão ter a faixa alterada em alguns países, de acordo com as leis locais. (The Verge)
Antes do segundo turno, Sérgio Abranches já contava com a virada de Lula. No Conversas com o Meio, o sociólogo que formulou o conceito de presidencialismo de coalizão explica a Flávia Tavares por que o medo venceu o ressentimento e por que os partidos terão quatro anos para inventar novos nomes que os representem. Os principais trechos saíram na Edição de Sábado. E a entrevista completa está no streaming do Meio. Assista.
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