
No início de maio, estudantes de
Catalão, no interior de
Goiás, voltaram dos Estados Unidos após disputar o maior torneio estudantil de robótica do mundo. O troféu pode não ter vindo, mas a experiência os colocou de frente com o que há de mais inovador com a tecnologia global – uma habilidade ainda mais valiosa em 2027, quando a cidade recebe a operação brasileira da montadora chinesa
GAC.
Anunciada em março, a unidade deve operar na planta já utilizada pela
Mitsubishi, de onde a GAC produzirá um ou dois modelos inicialmente. Sua instalação, no entanto, representa algo maior: uma virada do Brasil, de importador a produtor de veículos chineses.
Quinto maior comprador de automóveis da China em 2025, o Brasil tem recebido uma série de investimentos de fabricantes e parceiros do país. Até o fim da década, a expectativa é de que
US$ 7,4 bilhões desembarquem por aqui, habilitando o mercado brasileiro para produzir até um milhão de veículos por ano.
Players dessa
nova expansão chinesa ao país incluem a GAC em Goiás, mas também a
BYD na
Bahia, a
GWM em
São Paulo, as parcerias da
Leapmotor com a
Stellantis em
Pernambuco e mais. De disputado, o setor automotivo brasileiro atravessa o que especialistas determinam como a
guerra da pizza, pela maior fatia do mercado.
Os impactos não param por aí. A própria régua de qualidade subiu de forma irreversível graças ao salto tecnológico importado do mercado chinês. E com isso o jogo muda para todos os fabricantes, chineses ou não. Sai na frente quem estiver preparado para lidar com a nova realidade. Aprender mandarim, além de robótica, talvez seja um excelente começo.