
Em 2025, o
Porsche 911 foi o esportivo mais vendido do Brasil. Com preço de saída de R$ 980 mil, ele teve quase 25% mais unidades emplacadas que o segundo lugar, um
Ford Mustang de R$ 550 mil. Um ano positivo, portanto, para a
Porsche, não é mesmo?
Bem, não exatamente.
Com 5.520 unidades licenciadas, a Porsche registrou queda anual de 11,8% em 2025, encerrando uma série de nove recordes consecutivos no Brasil.
O cenário parece apontar para outro lado: com 130 mil unidades emplacadas em 2025, o
mercado brasileiro de importados premium segue superando a si próprio, apesar de lidar com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo.
O que explica, então, o baque da Porsche?
A situação é complexa. E global. Ano passado, a Porsche entregou 279.449 veículos em todo o planeta. O número representa 10% menos do registrado em 2024. Já as margens despencaram de 5,64 bilhões de euros para 413 milhões, uma queda de impressionantes 92,7%.
A explicação passa por personagens internos e componentes estruturais. De um lado, há o
mercado chinês, que
redefiniu seu padrão de prestígio à medida que
players locais anunciam lançamentos competitivos. De outro, há
Donald Trump e suas tarifas de importação que custaram cerca de US$ 700 milhões à montadora.
Mais decisiva, talvez, seja a crise interna. A opção por uma estratégia agressiva de eletrificação acarretou encargos extraordinários à alemã, na casa dos 2,4 bilhões de euros.
E então voltamos ao Brasil, onde a popularidade da Porsche na última década parece ser justamente a origem de sua derrocada, com uma percepção de exclusividade cada vez mais distante.
Essa semana, a Porsche foi protagonista aqui no
Seu Dinheiro Lifestyle.
Em sua reportagem especial, a jornalista Lucia Camargo Nunes detalha a crise nas fileiras da alemã, além das estratégias que o novo CEO,
Michael Leiters, tem adotado para voltar ao topo.