| Bom dia, você vai ler hoje: | 🚘 O fim da "EUA-dependência" chinesa 📱 iPhone 100% americano: mito ou possibilidade? | | Mesmo sem o mercado americano, a China ainda seria a maior exportadora de carros do mundo |  | Ilustração: João Brito |
| As tarifas de Trump sobre a China afetam muitos produtos altamente dependentes do mercado americano. Mas não devem fazer nem um risquinho nos carros chineses, muito menos amassar a lataria. | Nesse setor, Pequim já tinha começado há tempos o detox para se livrar da "EUA-dependência". Afinal, não é de hoje que os Estados Unidos estão impondo limites: Joe Biden já havia sobretaxado as importações dos veículos vindos da China em 100% no ano passado. Então, se tem um mercado cada vez mais fechado aos carros chineses, é o americano. | Os dados históricos de exportações da China mostram a mudança de estratégia de Pequim: | Em 2024, só 1,8% dos quase 5,5 milhões de carros de passeios feitos na China foram enviados para os EUA. O mercado americano foi apenas o 13º mercado para os chineses (em 2016 e 2017, ele era o segundo). Isso não impediu a alta de exportações da China. No ano passado, ela tomou do Japão o posto de maior exportador de carros de passeio do planeta. Desde o boom de carros elétricos, em 2021, a China abocanhou novos mercados, como a Bélgica e o Brasil.
| Mas os carros com motor à combustão ainda representam 60% das exportações chinesas, e a Rússia virou a maior cliente desde a guerra da Ucrânia, com o México na segunda posição. | | Entenda o que levou a China ao topo desse ranking na reportagem de Ana Carolina Moreno. | | iPhone fabricado nos EUA: apenas muito caro ou completamente impossível? |  | Ilustração: João Brito |
| Donald Trump já disse que as tarifas servem para forçar a volta da produção industrial e dos empregos aos Estados Unidos. No caso do iPhone, daria para Tim Cook um dia anunciar um "iPhone 100% Made in USA"? | A Apple não quis comentar. Então o Wall Street Journal foi ouvir especialistas em linhas globais de produção. Eis os fatos: | Hoje em dia, os iPhones são montados na China, mas com peças fabricadas em 40 países. A maioria está na Ásia porque a proximidade barateia o processo. A tela é sul-coreana, a câmera traseira é japonesa, o processador é taiwanês e por aí vai. Transportar tudo isso para outro lugar provavelmente significaria produzir algumas peças nos EUA e outras no México e no Canadá. Até daria para levar a montagem para fábricas americanas. Mas, nos próximos três a cinco anos, as peças ainda seriam importadas. E seria preciso recriar a cultura da manufatura nos EUA e treinar um batalhão de pessoas em especialidades que só existem na Ásia. A Foxconn, que monta os iPhones na China, emprega 300 mil pessoas.
| E aí tem o custo de tudo isso, que é no mínimo escandaloso. E que certamente seria repassado ao consumidor final. Mesmo assim, o investimento não garantiria a qualidade atual do produto. Ou seja, até daria para fazer, mas quem pagaria US$ 1 mil por um telefone de baixa qualidade? | Entenda mais nesta reportagem do WSJ (em português). | | Edição: Ana Carolina Moreno | |
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