A União Europeia disse hoje que suspenderá a adoção de medidas retaliatórias às tarifas alfandegárias dos Estados Unidos. O anúncio foi feito um dia após Donald Trump ter limitado por 90 dias as taxas a 10% para todos os países. A exceção é a China, que teve sua tarifa elevada pelo presidente americano para 125%. "Nós prestamos atenção ao anúncio de Trump. Nós queremos dar uma chance à negociação", escreveu na rede social X a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. "Se as negociações não forem satisfatórias, as contramedidas serão aplicadas", acrescentou. Ontem, antes do recuo de Trump, a União Europeia havia anunciado a adoção de tarifas de 25% sobre produtos americanos em resposta à taxação de 20% imposta pelos EUA. Mercados em alta As Bolsas asiáticas fecharam e as europeias abriram em alta hoje, em resposta à trégua na imposição das tarifas de importação mais altas anunciada ontem por Trump. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou com uma alta de 9,1%. As Bolsas da China também encerram o pregão com valorização, apesar de Trump ter excluído o país da suspensão de tarifas e ter elevado o imposto de importação sobre seus produtos para 125%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, terminou o dia com alta de 2,65%. Na Europa, as principais Bolsas subiam mais de 5% no meio da manhã. O desempenho dos mercados hoje se segue às valorizações recordes ontem nos EUA. O S&P 500 fechou a quarta com alta de 9,5%, a maior desde 2008, e o Nasdaq, 12%, melhor resultado desde 2001. Os índices futuros do mercado americano, porém, indicam uma volatilidade maior a partir de hoje. Uma explicação para o recuo de TrumpA pressão de empresários e investidores, o temor de uma grande recessão e o derretimento dos mercados são as principais explicações que os jornais americanos têm citado para o recuo de Trump nas tarifas alfandegárias. Questionado sobre a razão da trégua, o próprio Trump admitiu que "[as pessoas] estavam ficando nervosas, sabe, estavam ficando meio agitadas, um pouco com medo." Segundo a CNN americana, citando três fontes do governo, o principal gatilho para a mudança de rumo foi a desvalorização dos títulos da dívida pública americana, que se intensificou ontem de manhã. A preocupação com o impacto da crise no mercado de bonds e de ações, que costumam se contrabalancear, foi levada ontem de manhã ao presidente pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, visto como o mais moderado dos integrantes da equipe econômica de Trump. França 'caminha' para reconhecer Estado palestinoEmmanuel Macron declarou ontem que a França "caminha" para o reconhecimento do Estado palestino. "Devemos caminhar rumo ao reconhecimento e avançaremos nos próximos meses", disse o presidente francês em entrevista ao canal France 5. "Nosso objetivo é que, em algum momento de junho, junto com a Arábia Saudita, nessa conferência, vamos concluir esse movimento de reconhecimento mútuo por várias partes", acrescentou, referindo-se à conferência que a França copresidirá com a Arábia Saudita em Nova York. Se a intenção se confirmar, a França será o quinto país da Europa Ocidental a reconhecer o Estado palestino. Os demais são a Islândia, a Suécia, a Espanha e a Irlanda - os dois últimos desde o ano passado. Extrema-direita lidera pesquisa de popularidade na AlemanhaPela primeira vez desde o final da Segunda Guerra Mundial, um partido de extrema-direita apareceu no primeiro lugar das preferências do eleitorado alemão em uma pesquisa de opinião pública. O Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 25% das preferências populares em um levantamento do instituto Ipsos divulgado ontem. Em segundo lugar, aparece a coligação conservadora CDU/CSU do chanceler cristão-democrata, Friedrich Merz, com 24%. Em fevereiro, o bloco liderado por Merz venceu as eleições alemãs com 29% dos votos, frente aos 22% do AfD. Ainda ontem, Merz anunciou o fechamento de um acordo com o Partido Social-Democrata (SDP) do ex-chanceler Olaf Scholz para a formação de um governo. Tanto nas eleições como na pesquisa de ontem, o SDP ficou com o terceiro lugar, com 15% da preferência dos eleitores. |