
Caro leitor,
Estamos na Páscoa, e Fausto está deprimido. Um homem sábio, culto e de alma inquisitiva, mas que encontra-se permanentemente frustrado pelas limitações humanas. Ele tem muito, mas quer mais.
Mefistófeles sabe disso e propõe-lhe um pacto: terá tudo o que quiser na Terra, mas, em troca, entregará sua alma ao demônio. O pacto é selado com sangue — assim como o destino do nosso trágico protagonista.
De boas intenções, o inferno está cheio: a ânsia por satisfazer nossos desejos de maneira imediata, por mais nobres que sejam, pode custar caro no longo prazo.
Quem não gostaria de encontrar a lâmpada mágica e ter três desejos concedidos? E quem não gostaria de voltar no tempo ao se deparar com as consequências do que, posteriormente, se mostraria uma má decisão?
É um arco dramático clássico da Literatura: a conflituosa relação entre o homem, seus impulsos e a moralidade vigente em cada época. E que, como todo tema universal, encontra eco na vida cotidiana, nos mais diferentes contextos.
Veja, por exemplo, a bolsa brasileira — mais especificamente, a Natura (NTCO3). Seus acionistas, angustiados com o endividamento crescente da companhia, pressionaram a administração para fazer algo a respeito.
Pois seu desejo é uma ordem: vendeu-se a Aesop. Dinheiro no caixa, dívidas virtualmente sanadas, final feliz? Bem, não é tão simples, já que a Natura vendeu o seu principal ativo; agora, restaram apenas marcas problemáticas e perspectiva limitada de crescimento.
O nosso colunista Ruy Hungria encarnou Goethe para contar essa história. A gigante dos cosméticos — e seus acionistas — terão salvação, ou estão condenados a uma eternidade de sofrimento?
A resposta está no texto especial desta sexta-feira;
é só clicar aqui para ler a análise.