
Caro leitor,
Empresários, investidores e o governo federal raramente estiveram alinhados nesses primeiros quatro meses da nova gestão, mas uma coisa é unanimidade — todos estão ansiosos para que o Brasil volte a crescer.
Apesar de ora ou outra a briga acabar no colo do Banco Central, com amplos pedidos para que a autoridade monetária inicie um processo de corte na taxa de juros, todos sabem que para um futuro saudável e promissor é preciso colocar a casa em ordem.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou o tão esperado arcabouço fiscal, o substituto do teto de gastos que promete colocar as contas públicas na linha e abrir espaço para que a Selic comece a cair.
Apesar de o texto oficial ainda não ter sido entregue ao Congresso, o mercado gostou do que viu, mas sem comprar a ideia de que a reformulação da regra fiscal seja a solução definitiva para os problemas.
Hoje, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, concordou com essa visão, afirmando que o novo arcabouço é apenas uma "bala de bronze" — as apostas agora se voltam para a reforma tributária, um antigo sonho de políticos e empresários, mas razão de discórdia entre estados e municípios.
O discurso reformista e o empenho de utilizar o capital político para encaminhar o projeto animaram os investidores durante a tarde — ainda que o Ibovespa tenha perdido força no fim do dia, repercutindo a cautela de Nova York com dados econômicos fracos.
Enquanto a "bala de prata" brasileira não vem, o arcabouço fiscal continua sendo a grande expectativa do mercado. E Tebet deu sinais claros de que na semana que vem o texto deve ser encaminhado para o Congresso.
O Ibovespa fechou longe das máximas do dia, pressionado por um movimento de realização de lucros no setor de commodities, mas subiu 0,36%, aos 101.869 pontos. O dólar à vista avançou 0,22%, a R$ 5,0823.
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