
Caro leitor,
Olhando para o comportamento dos ativos brasileiros nesta semana, é bem fácil perceber que existiram dois momentos distintos — o
antes do Copom e o
depois do Copom.
Antes da decisão de política monetária do Banco Central brasileiro era possível notar um ar mais leve entre os investidores locais, ainda que a crise bancária nos Estados Unidos assustasse. Isso porque o resgate ao Credit Suisse no início da semana e o comprometimento dos BCs globais para resgatar os bancos e evitar um contágio do sistema financeiro trouxeram tranquilidade.
É bem verdade que Jerome Powell, presidente do Fed, não agradou ao dizer que não existe espaço para uma queda dos juros americanos em 2023, mas não há como negar que o grande divisor de águas mesmo foi o comunicado do Banco Central brasileiro na noite de quarta-feira (22).
Depois do Copom, a vida foi outra.
Se no começo da semana os investidores sonhavam com um corte de juros, a sexta-feira (24) chegou ainda com o peso de uma eventual elevação na Selic, sinalizada no comunicado da última decisão — principalmente após a prévia da inflação mostrar uma alta dos preços maior do que a inicialmente projetada.
Ruídos seguem no ar — e o Copom parece apenas ter ampliado todos eles: a guerra entre o governo federal e o BC independente, a falta de uma âncora fiscal e a inflação persistente.
Não é por acaso que o Ibovespa encerrou a semana abaixo dos 100 mil pontos, acumulando uma queda de 3,09% no período.
O pior, no entanto, parece ter ficado para a quinta-feira (23), ainda na ressaca das palavras de Roberto Campos Neto e cia. Hoje, o principal índice da bolsa passou por um movimento de correção após a forte queda — e até os juros futuros e o dólar à vista encontraram espaço para alívio.
A moeda norte-americana encerrou o dia em baixa de 0,74%, a R$ 5,2511. Na semana, a baixa foi de 0,36%. Já o Ibovespa subiu 0,92%, aos 98.829 pontos.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta sexta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.