
O ser humano tem uma queda por controle. Do arbítrio sobre os mínimos detalhes às formas mais abrangentes de poder, é impossível mensurar quanta energia já foi despendida por indivíduos e grupos na busca por um domínio abrangente e duradouro.
Queremos controle e previsibilidade sobre nossas vidas, sobre o nosso entorno, sobre o ambiente de negócios. Até mesmo sobre o futuro. Muitas vezes nem nos damos conta do quanto isso é ilusório.
Se o desejo por controle é uma característica humana, a imprevisibilidade - ao lado dos impostos e da morte - é uma das poucas certezas da vida.
Muitas vezes, porém, o imponderável nem é tão imprevisível assim. É o caso da quebra do SVB, o banco do Vale do Silício tanto em sua tradução literal quanto no setor por ele abraçado nas quatro décadas que separaram sua fundação da repentina falência.
Já se antecipava que o intenso aperto monetário promovido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em algum momento levaria a quebras e desemprego. Assim como se especulava que o setor de tecnologia estaria entre os mais vulneráveis.
Entretanto, a forma como SVB foi à ruína - uma corrida bancária desatada pela notícia de um prejuízo bilionário com títulos da dívida norte-americana e outros ativos de renda fixa - fez soar o alarme.
Até o meio da semana passada, os mercados financeiros eram movidos pelo temor de que o Fed acelerasse ainda mais o movimento de alta dos juros. Hoje isso está fora de cogitação.
Na pior das hipóteses, o Fed deve manter o ritmo do aperto em sua próxima reunião, marcada para a semana que vem.
Enquanto isso, os números da inflação ao consumidor norte-americano em fevereiro, antes vistos como fundamentais para antecipar os próximos passos do Fed, virão à tona hoje quase como um dado como outro qualquer. Quem diria isso na semana passada?
Para ficar por dentro dos efeitos de toda essa imprevisibilidade sobre os negócios, você precisa acompanhar a cobertura de mercados do Seu Dinheiro.