Mendonça, Moraes e Gonet em guerra no caso Master

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2 de setembro de 2026

Mendonça, Moraes e Gonet em guerra no caso Master

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Fotos: Gustavo Moreno, Victor Piemonte e Luiz Silveira / STF

A crise iniciada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelas investigações sobre o Banco Master se transformou em uma guerra aberta entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. No mesmo dia em que Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que expôs uma incômoda proximidade de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu levar o caso ao plenário do Supremo, Gonet reagiu pedindo a anulação da ordem que levou à produção do documento. Para o procurador-geral, Mendonça extrapolou suas atribuições ao determinar que a PF aprofundasse a investigação e identificasse o interlocutor de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A polícia concluiu que se tratava de Moraes. A manifestação coloca Gonet diretamente em confronto com Mendonça. O procurador-geral também aparece nas mensagens reveladas pelo relatório cuja nulidade agora pede. A decisão de Mendonça provocou forte reação nos bastidores do Supremo. Ele quer que os demais ministros do Supremo sejam obrigados a se posicionar sobre os fatos revelados pela PF. Caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, decidir se e quando o caso será levado ao plenário. (g1)

O relatório da Polícia Federal publicizado por André Mendonça aponta que Daniel Vorcaro recorreu a Alexandre de Moraes em busca de ajuda no auge da crise da instituição financeira. Mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram pedidos para tentar impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Durante um período de 13 dias, Vorcaro enviou mensagens em que perguntava como deveria agir para “desarmar” e “reverter” a situação e fazia apelos para “sensibilizar” autoridades. Segundo a PF, há suspeita de que o banqueiro tenha recebido orientações de Moraes. (Globo)

Em uma das mensagens, Daniel Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu Vorcaro a Moraes em 15 de novembro de 2025. As mensagens mostram ainda que Vorcaro marcou encontros com Moraes nos dias que antecederam sua prisão. No dia 14, Vorcaro perguntou se estava “marcado amanhã lá em casa” e, minutos depois, confirmou um encontro para as 14h30. Na noite do dia seguinte, pediu uma nova conversa com Moraes, que poderia ser “bem rápida”. No domingo (16), véspera da prisão, avisou: “Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?”. (Folha)

Moraes ficou revoltado ao saber que Mendonça havia determinado o aprofundamento das investigações que acabaram revelando suas conversas com Vorcaro. Moraes pediu uma conversa com o colega no STF, mas o encontro terminou em uma discussão ríspida e os dois quase chegaram às vias de fato. Durante a conversa, Moraes acusou o colega de direcionar as investigações contra ele. O tom subiu dos dois lados e, por pouco, a discussão não terminou em agressão física. (Metrópoles)

Vorcaro também era extremamente próximo de Paulo Gonet, com quem conversava por telefone e trocava mensagens por celular. Os contatos eram intermediados pelo advogado Ciro Soares. Em uma das conversas, Gonet chamou Vorcaro de “máquina” e disse sentir saudades do banqueiro. As mensagens também mostram que o procurador-geral aceitou um convite para uma degustação de uísque em Londres e pediu que o filho fosse incluído no evento. (Estadão)

O ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, Fábio Faria, foi o responsável por aproximar Daniel Vorcaro de Alexandre de Moraes e participou da articulação de encontros entre o dono do Banco Master e o ministro do STF. Faria também aparece em conversas relacionadas ao contrato entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em março de 2024, ele escreveu a Vorcaro: “O careca não pode atrasar”. Na sequência, a funcionária enviou o registro de uma transferência de R$ 3,42 milhões do Master para o escritório de Viviane. (CNN Brasil)

A investigação da PF ainda mostra que Alexandre de Moraes foi o responsável pela última modificação no contrato de cerca de R$ 130 milhões firmado entre o escritório de sua mulher e Vorcaro. A informação consta dos metadados do arquivo obtido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Segundo relatório da PF, a “minuta de contrato” tinha como autor um usuário identificado como Guilherme Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, e registra a última modificação pelo usuário “Ministro Alexandre de Moraes”. (g1)

O escritório Barci de Moraes, aliás, firmou um segundo contrato de prestação de serviços com uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, desta vez no valor de até R$ 50 milhões. Desse valor, R$ 40 milhões poderiam ser quitados com participações em duas empresas ligadas a aeronaves. Uma delas era proprietária de um avião Legacy 650. (CNN Brasil)

O Banco Master emitiu cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos de Alexandre de Moraes, em outubro de 2025. A emissão foi solicitada pelo escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. (Estadão)

Confira aqui o relatório da Polícia Federal na íntegra. (Meio)

Nos bastidores do Congresso, conta Leticia Casado, parlamentares discutem uma “saída honrosa” para que Moraes deixe o STF sem passar por um processo de impeachment. Uma das opções seria ele pedir aposentadoria antecipada em troca de não sofrer processo criminal. Fontes ligadas ao governo dizem que o melhor seria Moraes assumir um cargo em alguma instituição internacional e morar fora do país por um tempo. (UOL)

Em duros editoriais, Estadão e Folha pedem a renúncia de Moraes. Já o Globo defende que o STF deve exigir explicações do ministro.

Em outra frente do caso Master, reportagem da revista piauí revelou que, mesmo depois de Flávio Bolsonaro ter afirmado repetidamente que o último repasse de recursos de Daniel Vorcaro, supostamente pro filme Dark Horse, havia sido em maio de 2025, US$ 1,6 milhão foram enviados em setembro do mesmo ano, de acordo com documentos do Coaf. Com isso, o total conhecido até aqui do que foi enviado por Vorcaro para o filme de Bolsonaro sobe para US$ 12,2 milhões, ou R$ 65 milhões. Procuradoria, a assessoria do candidato disse “Isso não é com a gente” e sugeriu que o repórter procurasse a produtora do filme.

Malu Gaspar: “Em oito páginas e uma canetada apresentadas com rapidez atípica para seus padrões, Paulo Gonet declarou que nenhuma das provas apresentadas no relatório de mais de 200 páginas da PF vale para que se tome providências e se investigue Moraes. Como procurador da República, Gonet está se saindo um ótimo advogado de defesa”. (Globo)

Bela Megale: “A cerca de um mês das eleições, os magistrados que apoiam Moraes passaram a defender, nos bastidores, que as decisões de Mendonça sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e seu colega de corte teriam como pano de fundo ‘um feito político’. Em reservado, os ministros admitem que a situação é, no mínimo, ‘constrangedora’ para Moraes, mas afirmam que a melhor defesa do ministro é destacar que Vorcaro foi preso e que as investigações estão avançando a todo vapor”. (Globo)

Flávia Tavares: “Defender Moraes agora não é razoável, porque se trata de uma conduta individual que precisa ser explicada, pra dizer o mínimo. É mais do que lamentável que essa conduta coloque em risco a própria instituição, na medida em que enfraquece sua credibilidade. Mas é o que é. Toffoli e Nunes Marques devem explicação por suas condutas individuais também. E Mendonça vai precisar prestar contas da condução e dos vazamentos do caso”. A análise completa no Cá entre Nós. (Meio)

A crise deflagrada pelo avanço de Mendonça contra Moraes atravessa o Judiciário, contamina o Executivo e reconfigura o tabuleiro eleitoral a um mês do pleito. No Meio Político desta semana, exclusivo para assinantes premium, Creomar de Souza analisa esse momento sem precedentes na Nova República e avalia quem pode ou não se beneficiar eleitoralmente do caos. Faça agora uma assinatura premium e receba o Meio Político hoje, às 11h.

Efeito Vorcaro

Orlando Pedroso

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Viver

O Conselho Nacional de Educação (CNE), vinculado ao Ministério da Educação, aprovou uma nova diretriz que proíbe o uso de IA nas escolas para correção e atribuição de notas de redações e provas dissertativas em todas as etapas do ensino. A decisão, divulgada nesta terça-feira, também veta o acesso direto e sem supervisão a ferramentas de IA por crianças da educação infantil e até o 5º ano do ensino fundamental. As diretrizes entrarão em vigor a partir de sua publicação no Diário Oficial da União, mas as instituições educacionais terão o prazo de 12 meses para se adequarem. (g1)

Equivalente à Anvisa dos EUA, a FDA aprovou o uso do Mounjaro, da Eli Lilly, para reduzir o risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes de alto risco com diabetes tipo 2. A aprovação ocorre em meio a uma disputa entre as fabricantes de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 para outros usos além de diabetes e obesidade. Em 2024, a Novo Nordisk recebeu aprovação da FDA para que o Wegovy fosse usado na redução de riscos cardíacos em adultos com sobrepeso ou obesidade sem diabetes. (Folha)

Um estudo publicado na revista Science Advances revela que 9,2 milhões de crianças brasileiras de até nove anos estão expostas a pelo menos 30 dias adicionais de estresse térmico por ano. O número de crianças no país submetidas a cinco meses ou mais de calor perigoso saltou de 300 mil para 3,2 milhões. Diferente dos adultos, o corpo das crianças aquece mais rápido e transpira com menos eficiência, dificultando o resfriamento natural, podendo desencadear desde desidratação severa a falência de órgãos e até comprometer o desenvolvimento cognitivo. (Um Só Planeta)

Cultura

Vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes e apontado como forte concorrente ao Oscar de melhor filme internacional em 2027, A Bola Preta, dirigido por Javier Calvo e Javier Ambrossi, será o longa de abertura do Festival do Rio 2026, em 1º de outubro. Inspirado na obra inacabada homônima de Federico García Lorca e na peça La Piedra Oscura, de Alberto Conejero, a produção da Netflix acompanha as trajetórias de três homens gays em três épocas marcantes da história espanhola. O filme, ovacionado por 20 minutos em Cannes, deve estrear no Brasil em 21 de janeiro. (Globo)

O presidente Lula assinou dois decretos que alteram as regras para shows e eventos no Brasil. Batizado de “Decreto dos Fãs”, o texto visa combater o cambismo digital e exigir mais transparência na venda e revenda de ingressos. As plataformas terão de adotar mecanismos contra aquisições automatizadas, evitando compras em massa por robôs. O preço total já com todas as taxas deverá ser exibido desde o início da compra, e serviços extras não poderão ser incluídos automaticamente sem consentimento do consumidor. O segundo texto torna obrigatória a distribuição gratuita de água em eventos com mais de 1.000 pessoas. (Rolling Stone)

Cotidiano Digital

A Amazon lançou o recurso “Update Me When”, que veio traduzido como “Me avise quando”, integrado à Alexa for Shopping, a assistente de compras com inteligência artificial da empresa. A ferramenta envia notificações personalizadas para o consumidor quando algo relevante acontece, como o lançamento de um produto de uma marca favorita ou o anúncio de turnê de um artista. Essa novidade faz parte de um conjunto mais amplo de recursos de IA para compras que a Amazon apresentou nesta terça-feira, marcando uma mudança de estratégia para que a Alexa passe a ser mais ativa para os usuários. (TechCrunch)

E a Anthropic admitiu que vários incidentes de hacking envolvendo o Claude em julho mostraram uma “falha na segurança operacional”, mas afirmou ter reforçado seus procedimentos de teste. Segundo a empresa, os modelos acessaram a internet aberta e invadiram sistemas de três organizações após um mal-entendido com uma firma parceira de testes. A companhia disse ter identificado duas falhas de alinhamento nos incidentes e implementou novas medidas de segurança, como um sistema de alerta e um isolamento mais rigoroso dos ambientes de teste. (Guardian)

Às vezes a gente evita falar de política com os colegas ou a família, com medo de que uma opinião solta vire desentendimento. Um jeito de quebrar esse gelo sem tensão: descobrir juntos como cada um pensa, antes de discutir o que cada um defende. O Painel Ideológico do Meio, a partir da pesquisa do cientista político Christian Lynch, cruza suas respostas e revela qual das dez ideologias brasileiras organiza sua visão de mundo, para além dos extremos. Compartilhe o teste, compare o resultado com quem você ama discordar, e comece a conversa por aí.

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