“Pânico, pânico, esperança.” Foi assim que a Phoebe Waller-Bridge (de Fleabag ❤️) descreveu o processo de escrita dela e é assim que eu descreveria o estado em que jovens jornalistas se encontram quando percebem que estão sem pauta e precisam de uma desesperadamente – ou porque tem alguém cobrando ou porque o saldo positivo da conta bancária depende disso. Também acontece com jornalistas experientes, é verdade. Eu levei tempo pra sair desse ciclo no qual eu gastava mais tempo me perguntando se ainda haveria algo a se dizer sobre o mundo do que, de fato, compondo uma boa pauta. Passou. Aliás, mudou. Agora eu sinto pânico diante da quantidade infinita de histórias a serem contadas e da escassez de tempo, recursos e atenção pra que todas elas tomem forma. Ainda é pânico, eu sei, mas não do tipo que me paralisa. E esse é o único alívio que eu posso te oferecer aqui, com uma lista de truques para encontrar boas histórias pra contar. Tantas que você talvez fique como eu, querendo que mais jornalistas se juntem ao barco pra a gente dar conta, juntos, de navegar por esse mundo infinitamente interessante. Daqui em diante, eu quero que você mantenha suas antenas sempre ligadas. Não procure a pauta só quando você estiver precisando dela, como faria o mais cafajeste dos amantes. Fique atento à conversa da mesa ao lado (sim, jornalista nada mais é do que um xereta profissional), aos papéis colados pelos muros da cidade e aos mistérios da vida cotidiana. Anote tudo isso em algum lugar – de preferência num caderninho surrado, em prol da conservação do pouco charme que o ofício de repórter ainda preserva – e guarde. Um dia, quando chegar a hora de sugerir uma pauta pra um podcast ou ter uma ideia pra um projeto pessoal, você terá um acervo valioso feito com base numa coisa insubstituível: o seu faro. Agora, algumas dicas¹ de lugares pra onde apontar o seu nariz: Eventos e publicações acadêmicasAs universidades tem páginas de eventos que você pode fuçar para descobrir pesquisas interessantes ou encontrar potenciais entrevistados. Quer ver só? Dando uma olhada rápida nos eventos da Universidade de São Paulo, eu encontrei um sobre oceanos e o título de uma das palestras é: “Ondas em Águas Profundas: relatos da experiência de 25 anos da Poli-USP”. Relatos. Experiência. 25 anos. Sua antena está apitando também? O palestrante, o professor Alexandre Sinos, trabalha com energia naval há mais de 30 anos e, recentemente, tem publicado artigos sobre o impacto de usinas hidrelétricas em alto mar. Talvez você não esteja interessado em cobrir esse assunto agora, tá certo. Mas um dia, quem sabe, um editor pode te pedir algum especialista sobre o assunto. E em vez de perguntar pra você sabe quem, você vai ter um nome anotado no seu caderninho. A Ondas Curtas é uma newsletter e uma comunidade São R$20 por mês (ou menos ainda, na assinatura anual) e você pode cancelar quanto quiser. É só clicar aqui: Continue lendo este post gratuitamente no app Substack
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