
Desde que assumiu o poder, o governo de
Javier Milei vem fechando algumas portas na
Argentina: do mercado editorial à imprensa, com escala por embaixadas estrangeiras. Agora, o corte chegou à cozinha – mais precisamente à alta gastronomia, com a retirada do apoio federal ao
Guia Michelin no país.
O anúncio ocorre apenas dois anos após a chegada da certificação por lá. Desde 2024, o guia, uma das maiores chancelas da gastronomia global, destaca chefs e propostas de
Buenos Aires e
Mendoza. Pelo caminho, elevou o reconhecimento de espaços como o biestrelado
Aramburu, cozinha de autor de nível internacional feita na Argentina.
Mais que um devaneio, a medida responde a uma significativa queda de 13% do setor no ano passado. A pincelada quixotesca vem com a proposta de substituir o Michelin com um guia local. Apoiado por parceiros como a YPF, empresa nacional de energia e derivados, o guia argentino teria a intenção (legítima, aliás) de ampliar o reconhecimento a outras regiões, além das metrópoles.
Veja, o Guia Michelin não está livre de críticas. Estabelecido há cem anos, em 1926, seu sistema de estrelas apenas sairia da Europa em 2005, com a primeira edição nos
Estados Unidos. No
Brasil, desembarcaria em 2015.
Foi somente nos últimos 10 anos que países como a
Tailândia, o
México e o
Catar ganharam representações. Há quem diga, porém, que o critério de excelência estabelecido pelo guia segue um modelo eurocentrado até hoje.
Ainda assim, seu avanço e internacionalização permite com que um leitor de
Taiwan conheça o portenho
República del Fuego, por exemplo. Ou mesmo o estrelado
Don Julio, dono da melhor
parrilla de Buenos Aires, senão de toda a Argentina. Terá o guia de Milei a capacidade de fazer o mesmo?
Enquanto a questão segue aberta, as províncias de Mendoza e Buenos Aires se organizam para segurar a premiação por lá. E a cerimônia de 2026 segue confirmada, ainda que com ajustes. Para saber como fica o Guia Michelin na Argentina de Milei,
leia a reportagem completa.