18 de setembro de 2026
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Prezadas leitoras, caros leitores — Duas variáveis um tanto surpreendentes pressionam as campanhas presidenciais a 15 dias do primeiro turno: uma dramática crise no Supremo Tribunal Federal e a inquietante possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, convidou um grande especialista de cada área para analisar esses cenários. Eloísa Machado, professora da FGV Direito de São Paulo e pesquisadora sobre o Supremo há 25 anos, explica que, no caso da crise da Corte, algumas saídas institucionais existem, outras precisam ser inventadas. Mas esse processo é custoso e o tempo da Justiça e das instituições é muito diferente do tempo político e eleitoral. Esse descompasso e o temor daqueles que não querem reformar o Judiciário, mas subjugá-lo, são sua maior preocupação nesse momento. Já Oliver Stuenkel, pesquisador sênior do Carnegie Endowment em Washington e também professor da Escola de Relações Internacionais da FGV de São Paulo, avalia que a novidade de 2026 não é que os candidatos discutam política internacional, mas que uma potência estrangeira tenha se tornado ator interno da disputa. A diferença entre cada abordagem é o preço que cada um estaria disposto a pagar por algum alívio com a Casa Branca. E, para relaxar, mas mantendo o nível hard de 2026, Leonardo Pimentel mostra que 1976 foi muito além do punk, com uma curadoria de dez álbuns obrigatórios para os fãs de rock pesado e que estão completando 50 anos. Para ler e ouvir no maior volume possível. Crise assim não se acompanha por manchete. Oferecer reportagens, entrevistas e análises que ajude você a navegar na turbulência política é o que fazemos, e as assinaturas são o que nos sustenta. Assine o Meio Premium. Os editores. |
Lula aumenta Bolsa Família a 17 dias das eleições Foto: Lyon Santos/MDS A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais, o governo federal não se intimidou e anunciou um reajuste de cerca de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago às famílias passará dos atuais R$ 675 para R$ 777. O aumento começa a valer em outubro, com pagamentos a partir do dia 19, entre o primeiro e o eventual segundo turno da eleição presidencial. O Bolsa Família não tinha seus valores reajustados desde que foi relançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março de 2023. A medida foi anunciada em meio à campanha eleitoral e depois de o governo ter enviado ao Congresso, em agosto, a proposta de Orçamento de 2027 sem prever aumento dos benefícios. Ainda assim, o governo negou que o reajuste tenha relação com as eleições presidenciais. A equipe econômica afirma que o aumento corresponde à reposição da inflação acumulada. O reajuste terá impacto de R$ 22,7 bilhões nas despesas do governo em 2027 e de mais de R$ 5 bilhões neste ano. (g1) E o “pacote de bondades” não se limitou ao Bolsa Família. Durante evento em Minas na quinta-feira, Lula anunciou que o governo vai distribuir canetas emagrecedoras pelo SUS, embora não tenha previsto uma data ou especificado se a entrega só aconteceria em seu eventual quarto mandato. (Terra) A oposição reagiu ao reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula a 17 dias das eleições. O deputado Zé Trovão (PL-SC) entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar derrubar o aumento, sob o argumento de que a medida pode desequilibrar a disputa eleitoral. No pedido, Zé Trovão questiona o momento escolhido pelo governo para conceder o reajuste (CNN Brasil) Relator da ação no TSE, o ministro André Mendonça rejeitou quase que automaticamente a peça apresentada por Zé Trovão. Mendonça entendeu que um candidato a deputado federal não tem legitimidade para apresentar uma ação contra um candidato à Presidência da República. (g1) A mesma tecnicalidade não poderá ser usada contra a ação protocolada na noite de quinta-feira pelo candidato Renan Santos (Missão), também sob a relatoria de Mendonça. Mas, de olho no eleitorado, Renan não quer anular o decreto. Pede que uma liminar para que seus efeitos econômicos — o pagamento propriamente dito — só aconteçam após a posse do governo a ser eleito no mês que vem. (Metrópoles) Flávio Bolsonaro (PL) inicialmente criticou o reajuste do Bolsa Família e afirmou que a medida seria ilegal e motivada pelo “desespero” do presidente na reta final da campanha. Durante comício em Vitória da Conquista (BA), Flávio questionou o fato de o aumento ter sido anunciado perto da eleição. Mas em uma live, horas depois, garantiu que, se eleito, daria “muito mais”, lembrando o aumento dado por Jair Bolsonaro em 2022, também ano eleitoral. “Comigo tá garantido o Bolsa Família. Vou manter esse reajuste, só que vou fazer muito mais do que isso. Vocês vão lembrar, os R$ 600 quem deu, foi quem? Foi o presidente Bolsonaro”, disse. (Metrópoles e CNN Brasil) Mas a campanha de Flávio tem outra preocupação: descolar o candidato da atuação de seu irmão Eduardo Bolsonaro contra autoridades brasileiras nos Estados Unidos. Na quarta-feira, o ex-deputado se reuniu com integrantes do governo Trump para pedir sanções contra os ministros do STF Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Assessores de Flávio temem que ação de Eduardo dinamitem as pontes que o senador tenta construir com o Judiciário. (CNN Brasil) Lula manteve a liderança sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas a distância entre os dois caiu de quatro para três pontos em uma semana, segundo nova pesquisa Datafolha. O presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 36% do senador. Na sequência aparecem Augusto Cury, com 6%; Ronaldo Caiado, com 4%; Renan Santos, com 3%; e Romeu Zema, com 2%. Samara e Rui Costa Pimenta têm 1% cada. Brancos e nulos somam 6%, e 3% dos entrevistados estão indecisos. No levantamento anterior, Lula tinha os mesmos 39% e Flávio, 35%. Em uma eventual disputa de segundo turno, os dois seguem tecnicamente empatados. Lula registra 46%, e Flávio, 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. (Folha) Com o clima ainda quente no Supremo Tribunal Federal, o presidente da Corte, Edson Fachin, retirou de pauta o julgamento sobre a atuação de André Mendonça nas investigações relacionadas ao Banco Master. A análise do caso de Mendonça estava marcada para 23 de setembro. A retirada de pauta ocorre dois dias depois de uma sessão marcada por divergências e bate-bocas entre ministros sobre a tramitação dos casos ligados ao Master. Antes da decisão de Fachin, ministros alinhados a Mendonça já avaliavam que seria difícil manter a sessão do dia 23 diante da indefinição sobre o rito dos processos. (g1) E Lula defendeu publicamente que o Supremo analise de forma conjunta os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Para o presidente, separar os julgamentos, especialmente durante o período eleitoral, poderia resultar na análise de um dos casos antes da eleição e do outro somente depois. (Estadão) Enquanto isso…O Instituto Iter, vinculado ao ministro André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa de mineração cujo dono, Lucas Kallas, foi parceiro de negócios do banqueiro Daniel Vorcaro. O repasse foi acertado em abril de 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível, que previa um total de R$ 5,9 milhões. Nesse tipo de operação, o crédito pode ser convertido em participação societária ou devolvido à empresa que concedeu o empréstimo. Em janeiro deste ano, o Iter decidiu interromper os repasses e iniciar a devolução do dinheiro à Cedro. O Iter afirma que a devolução está sendo feita com correção pela Selic e que cerca de 5,3% da dívida já foi paga. (UOL) E Vorcaro buscou, sem sucesso, ampliar sua rede de influência no STF. Como conta Mônica Bergamo, em abril de 2024 o ex-dono do Master se reuniu com Gilmar Mendes para tentar convencê-lo a favor de uma causa bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro, na qual Vorcaro tinha interesse. O ministro, porém, votou contra os interesses dos empresários em dois casos concretos. Na época do encontro, o cunhado de Gilmar, o empresário e ex-parlamentar Chiquinho Feitosa, trabalhava como lobista para Vorcaro em Brasília. (Folha) STF Bros. 
Esta é a eleição com menor interesse dos brasileiros desde 1989. Esse desinteresse também afeta o jornalismo, principalmente aquele que não faz torcida. Mas é nesse momento que o jornalismo mais importa: apurar fatos, dar contexto, e não deixar que a visão do país se forme só dentro da própria bolha. No Meio Premium, você encontra isso em newsletters com análises especiais, na plataforma interativa da Pesquisa Meio/Ideia, para acompanhar a evolução da disputa eleitoral com dados, e no streaming com documentários exclusivos sobre o Brasil. Porque uma democracia forte depende de cidadãos bem-informados. Assine o Meio Premium. ViverEm manifesto publicado conjuntamente, clubes de futebol defenderam que eventuais restrições a bets seriam o “fim do futebol brasileiro”. Até a noite de quinta-feira, o texto havia sido postado nos perfis da Federação Paulista de Futebol, em parceria com Palmeiras, Santos e São Paulo, da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, de Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro. O documento é uma reação à possibilidade de o governo federal publicar uma Medida Provisória que proibiria os jogos de cassino on-line. Cartolas têm se encontrado há dias para desenhar uma resposta e alegam que mudanças nas regras não farão “com que as apostas deixem de existir”, mas que elas podem empurrar os apostadores para o mercado ilegal. (ge) Torcedores reagiram com memes e revolta ao manifesto. (Terra) As mudanças climáticas provocadas pela ação humana agravaram uma combinação de fatores que contribuiu para as inundações catastróficas de agosto na fronteira entre Nepal e China, segundo uma análise realizada por mais de 20 cientistas internacionais. O desastre começou quando um bloco de rocha e gelo glacial com cerca de 600 metros de largura se desprendeu da montanha Langtang Lirung. O material despencou aproximadamente 2,1 mil metros até o rio, liberando energia equivalente à de um terremoto de magnitude 5,2. A força da queda foi suficiente para derreter o gelo quase instantaneamente. (CNN Brasil) O uso de inteligência artificial no combate à violência tem o apoio de 86% dos brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia, realizada pela Quaest em parceria com a Pax, empresa de IA voltada à segurança pública. O levantamento, divulgado às vésperas da eleição presidencial de 2026, mostra ainda que 93% consideram efetiva a combinação de câmeras, inteligência artificial e trabalho policial. A adesão ocorre em um cenário de forte percepção de deterioração da segurança: 70% dos entrevistados afirmam que a violência aumentou muito nos últimos dois anos. (Meio) CulturaA Academia Brasileira de Cinema escolheu o filme Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, como representante do Brasil no Goya de melhor filme ibero-americano. A decisão saiu um dia depois da indicação de Feito Pipa ao Oscar de melhor filme internacional de 2027 e repete a estratégia do ano passado, quando O Agente Secreto foi ao Oscar e Manas concorreu ao Goya. Vicentina Pede Desculpas ainda pode entrar na disputa do Oscar se vencer a mostra Plataforma do Festival de Toronto, anunciada neste domingo, porque as novas regras habilitam automaticamente os vencedores de Toronto, Cannes, Veneza, Berlim e Sundance para a maior premiação do cinema. O filme chega aos cinemas no dia 5 de novembro e à Netflix no dia 20. (Globo) A Netflix divulgou o título, o logo e a data de estreia da nova adaptação de As Crônicas de Nárnia, filme que será dirigido por Greta Gerwig. O filme se chamará Nárnia: O Sobrinho do Mago, baseado no primeiro livro da saga em ordem cronológica de mesmo nome. O longa chega aos cinemas no dia 11 de fevereiro de 2027, antes de estrear no catálogo do streaming. A história acompanha a origem do mundo fantástico de Nárnia, criação do autor C. S. Lewis. Foi confirmado também que o personagem do Leão Aslan será dublado por Meryl Streep. (Rolling Stone e Empire) Uma pintura da série Íris, de Claude Monet, vai a leilão na Sotheby’s de Paris no dia 22 de outubro e pode alcançar o maior preço já pago por uma tela em hasta pública na França. Feita entre 1924 e 1925, a obra é a maior da série a chegar ao mercado e não é exibida ao público desde a criação. A estimativa de venda vai de € 22 milhões a € 30 milhões. O quadro integra um lote de 28 peças da coleção de Jeanne Schlumberger, herdeira da petrolífera de mesmo nome, morta em 1983. (The Art Newspaper) Cotidiano DigitalO Spotify ampliou o seu programa de monetização para mais de 35 novos mercados, entre eles o Brasil. As novas funções passam a valer no dia 19 de outubro e têm como principal novidade permitir que criadores de áudio e vídeo combinem receita do engajamento da audiência Premium com publicidade e patrocínios próprios. Segundo os dados da plataforma, a audiência mensal de podcasts em vídeo no Brasil cresceu 60% no último ano e já responde por um terço das horas de podcasts consumidas na plataforma no país. (Forbes) A sanção do Redata é vista pelo setor de data centers como um impulso à infraestrutura de inteligência artificial no Brasil, porém a energia é apontada como o principal entrave da expansão do segmento. A Empresa de Pesquisa Energética registrou mais de 56 GW em pedidos de acesso, o equivalente a um quinto da capacidade instalada de geração. Enquanto linhas de transmissão levam cerca de cinco anos para serem implementadas no país, um grande data center pode ficar pronto em cerca de três. (Folha) Meio em vídeo. No novo episódio de Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai questionam se a inteligência artificial tem o poder de causar o fim da humanidade, o uso do Claude para produção de armas bioquímicas e quem são os verdadeiros vilões da internet. Confira aqui. (YouTube)
Além dos programas do dia a dia, o streaming do Meio reúne documentários e séries originais em um acervo amplo. Encontre títulos como Eleições 2026: A Escolha, sobre a disputa presidencial; Democracia: Uma História Sem Fim, que faz um retrato da democracia brasileira; Ponto de Partida, A Série — Nós, Brasileiros, que mapeia os grupos sociais e investiga a organização política do país; Fernanda Montenegro: A Luz e o Mistério, com a atriz revisitando memórias em cena; e Presença de Espírito, com Márvio dos Anjos, sobre fé e espiritualidade. Tem mais para explorar. Comece agora. |