
Numa segunda-feira qualquer em dezembro, taças ao alto brindam em
Paris. Estamos no 9º arrondissement das Galerias Lafayette, a poucas quadras do Palais Garnier. A terra do luxo, o templo do
vinho. Mas, por lá, o assunto na boca de todos é o Brasil. Literalmente.
O encontro marcou o start do recém-criado projeto
Vin du Brésil, iniciativa que celebra e promove nosso
terroir no exterior. Curiosamente, a proposta vem encabeçada por três gringos bastante familiarizados à viticultura daqui, que entenderam aquilo que muita gente resiste em aceitar: o vinho brasileiro agrada, sim, o paladar estrangeiro.
Mais que questão de gosto, vinho é também uma tendência no Brasil. Se, em volume, ainda somos um mercado incipiente, dados da Ideal BI demonstram alta de 6% no faturamento nacional com vinhos em 2025. Um sucesso distante da síndrome de vira-lata, que reflete também a maturidade de produtores competentes daqui.
Caso, por exemplo, da vinícola mineira
Maria Maria, única medalhista de ouro do país no prestigiado
Decanter World Wine Awards ano passado; ou ainda da gaúcha
Era dos Ventos, que resgatou técnicas ancestrais para fazer da uva Peverella uma produção elegante de vinho laranja —
um hype que, aliás, parece ter vindo para ficar. Porém ganha mesmo quem sabe aproveitar esse momento para investir em bons negócios. Gente como o casal bilionário
Alexander e Carrie Vik, donos de um império em hospitalidade, que inclui nada menos que a
Vik, vinícola eleita a melhor do mundo em 2025.
Depois de cumprir a missão de produzir vinhos de classe mundial no Chile, o norueguês e a americana agora voltam suas atenções ao Brasil. Mais precisamente a
Araçoiaba da Serra, a duas horas de São Paulo, que deve receber, até 2028, o novo complexo com a assinatura dos Vik — luxo, arte e, claro, ótimos rótulos.
Entre o
brinde brasileiro em Paris e o
casal bilionário no interior paulista, duas histórias para virar de vez a página da
syndrome du chien bâtard com o vinho feito aqui.