FolhaMercado: A era dos 'sem mesa' nos escritórios

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Folha de S.Paulo
Segunda-feira, 2 de agosto de 2021
folhamercado
Olá, 

Saiba o que deve mudar nos escritórios quando os funcionários voltarem do home office. E as ações da Bolsa preferidas pelos gestores para o mês de agosto.

O que mais importa: previsão de gastos com precatórios para 2022 pode inviabilizar reformulação do Bolsa Família e China busca negociar com EUA sobre IPOs de empresas no exterior.

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Artur Búrigo
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trabalho
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A era dos 'sem mesa'
Com o avanço da vacinação e o retorno das aulas presenciais em muitos estados, a volta aos escritórios brasileiros também começa a ser planejada.

Mas é improvável que você encontre o mesmo ambiente de quando saiu: a nova tendência é de uma rotina híbrida e enxuta.

O que muda
  • As estações de trabalho devem ser compartilhadas, e você provavelmente não será mais “dono” da sua mesa. 
     
  • Em algumas empresas o funcionário terá de agendar por um aplicativo o dia e horário que irá ocupar o espaço de trabalho.
     
  • A exigência do comprovante de vacinação para poder entrar nos escritórios está cada vez mais comum lá fora e deve ser replicado por companhias no Brasil.
Coworkings: locais usados principalmente por startups no longínquo pré-pandemia, esses ambientes hospedam cada vez mais funcionários de grandes empresas.

Conflito geracional: os mais jovens não gostam muito da ideia de retorno obrigatório ao trabalho presencial, enquanto a resistência é bem menor entre aqueles com 50 e 60 anos, como mostra esta reportagem do The New York Times.

Burnout: esse retorno híbrido aos escritórios não deve resolver por si só um problema potencializado pelo home-office: os relatos de sobrecarga dos funcionários.

A constatação dos especialistas é de que o trabalho remoto dificultou a delimitação da rotina profissional, que por muitas vezes invade a vida pessoal.
folhainvest
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Os setores mais promissores para agosto
Ações de empresas que mais se beneficiam de um cenário de avanço na vacinação e de retorno das atividades presenciais no país são as preferidas por analistas e gestores para agosto.

Entenda: a tese desses agentes é que principalmente as companhias ligadas ao turismo e ao comércio foram mais impactadas pelas restrições adotadas durante a pandemia. Com a reabertura da economia, os analistas veem maior potencial de crescimento.

Setores e ativos preferidos dos gestores para a retomada das atividades no país:
  • Comércio e varejo: Americanas e Arezzo, Renner, Magazine Luiza, Grupo Soma e Via Varejo. Ações de shoppings, como Multiplan, Aliansce Sonae, BR Malls e Iguatemi também são bem vistas.
     
  • Turismo: Azul, Embraer e CVC podem se beneficiar com a retomada das viagens.
     
  • Financeiro: com expectativa de aumento de juros, papéis de bancos (Bradesco, Itaú) e seguradoras (BB Seguridade e SulAmérica) podem se beneficiar.
Aversão ao risco: o mês de julho encerrou com o dólar (alta de 4,8%) e o ouro (8,2%) atingindo bons retornos e recuperando parte das perdas de junho, quando caíram 4,8%10,6%, respectivamente.

Esses ativos são considerados um porto seguro para os investidores, que ficaram preocupados com a disseminação da variante Delta e a alta da inflação em todo o mundo. O bitcoin - cujos apoiadores também consideram como protetor da carteira - valorizou 11,9% em julho, ante queda de 5,7% em junho.

Por aqui, o Ibovespa terminou o mês com perda de 3,94%. Os papéis de países emergentes são mais penalizados em momentos de maior estresse, mas o risco político local também pesou contra os ativos brasileiros.
governo bolsonaro
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Precatórios preocupam Guedes
Os gastos com precatórios previstos para 2022 viraram uma dor de cabeça para o governo, que quer espaço orçamentário para turbinar o Bolsa Família no ano eleitoral.

Entenda: precatórios são dívidas de órgãos públicos - a maior parte da União - com pessoas físicas ou jurídicas e que já têm sentença definitiva da Justiça.

A preocupação da equipe econômica é que esses gastos podem chegar a R$ 90 bilhões no próximo ano, enquanto a estimativa para 2021 é de R$ 54 bilhões

Por isso, o governo estuda enviar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) ao Congresso para prever novas formas de parcelar as dívidas ou impor limites de pagamentos de precatórios.

Por que importa: o governo trabalha com um espaço de R$ 30 bilhões no teto de gastos para 2022. Essa folga seria usada para ampliar o valor médio - dos atuais R$ 192 para R$ 300 - e o público - de 14,7 milhões para 17 milhões - que recebe o Bolsa Família.
Crítica: o Conselho Federal da OAB disse que a proposta de mudar regras de pagamento de precatórios "revela contornos antidemocráticos" e representa a tentativa de "institucionalização do calote" com fins eleitorais.
china
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Relações reatadas
A disputa entre o governo chinês e as empresas do país que listam suas ações nas Bolsas americanas teve um novo capítulo neste domingo (1º).

A CSRC (Comissão Reguladora de Valores da China, órgão semelhante à CVM no Brasil) anunciou que irá negociar com a SEC (CVM americana) uma solução para os IPOs de companhias chinesas no exterior.

Entenda a briga: na última sexta, a SEC suspendeu os registros de IPOs das empresas chinesas em reação a processos de investidores americanos que se sentiram prejudicados na listagem de ações da Didi Global, aplicativo de transportes e dona da 99 no Brasil. 

Caso Didi: poucos dias após a empresa fazer seu IPO na Bolsa de Nova York, o governo chinês ordenou a suspensão de registros de novos usuários pelo app, acusando a Didi de coletar ilegalmente dados de clientes.
  • As ações da companhia despencaram quase 50%, gerando processos de investidores. Eles alegaram que não foram informados dos riscos regulatórios.
Após esse episódio, o Partido Comunista anunciou investigações contra outras empresas, sinal interpretado por analistas como uma tentativa de evitar que mais empresas busquem abrir seu capital no exterior.
  • A China está privilegiando tecnologias de infraestrutura e penalizando as empresas de serviços ao consumidor, analisa Ronaldo Lemos.
     
  • Para Rodrigo Zeidan, o país ameaça derreter investimentos no mundo todo com essas medidas.
o que mais você precisa saber
o que vem por aí
IBGE:
  • Pesquisa industrial mensal (junho) - terça, 3.
Banco Central:
  • Anúncio da decisão do Copom sobre a Selic - quarta, 4.
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