O mercado brasileiro nunca foi visto como um bom lugar para listar empresas de tecnologia, tabu que só foi quebrado recentemente
Quinta-Feira, 29/07/2021
"Se você não for capaz de realizar as pequenas tarefas do seu dia, o que será das grandes tarefas?"
Bernardinho, vencedor de seis medalhas olímpicas como treinador de vôlei
MORNING CALL
O canto da sereia e as empresas tech no Brasil
Bom dia, Investidor!
O mercado brasileiro nunca foi visto como um bom lugar para listar empresas de tecnologia, um tabu que só foi quebrado bem recentemente. Historicamente, o que existia de demanda do mercado interno no primeiro momento da internet era coberto por multinacionais, o que acabou sendo um desincentivo para o crescimento de startups no Brasil. Quando as primeiras surgiram, a maioria se manteve privada ou foi alvo de M&A de uma companhia estrangeira, como ocorreu com o Buscapé, surgido em 1998 e comprado pela Naspers em 2009 por US$ 342 milhões.
Na primeira década dos anos 2000, até houve algumas aventuras na bolsa (umas seguem firmes e fortes, outras ficaram pelo caminho), impulsionadas pelo bom momento econômico vivido. A pioneira foi a TOTVS, e logo vieram outras, como Datasul, Bematech (ambas adquiridas pela TOTVS), B2W, Positivo Informática e UOL - as duas últimas fizeram OPAs e fecharam seu capital algum tempo depois de se tornarem públicas. E, desde então, quase nada. As empresas de crescimento acelerado que se destacavam no país levantavam capital de fundos de venture capital de fora e sempre que falavam sobre possíveis IPOs, citavam o interesse em listar em uma das bolsas americanas.
Mas qual o motivo para isso? É aqui que eu queria chegar. São vários. O primeiro deles, e que mudou muito nos últimos anos, é que a oferta por capital de risco nacional era escassa e fundos de venture capital estrangeiros tinham mais facilidade para desfazer suas posições nas empresas investidas lá fora. Outro fator importante é que existem muito mais investidores - principalmente institucionais - que olham para o mercado americano do que para o brasileiro. Como o mandato de alguns veículos cria limitações para mercados emergentes, a mesma empresa poderia ter suas ações compradas por um gestor se fosse listada nos EUA, mas não no Brasil, mesmo que esse fundo também fosse presente por aqui.
No entanto, nenhum desses pontos era o mais relevante para levar as empresas brasileiras para o exterior. Até dois ou três anos atrás, onze de dez pessoas paradas na Faria Lima e perguntadas sobre o tema responderiam que as empresas tech não vinham a público no Brasil porque os analistas buy side brasileiros não "sabiam" analisar empresa de growth. Isso faria com que as empresas não conseguissem aqui um valuation atrativo no mercado aberto. No offense, mas ouvi isso de empreendedores, advogados, investidores de risco, anjos e, principalmente, dos analistas sell side dos bancos de investimento.
Sempre achei que essa lógica fazia muito pouco sentido. É claro que alguns fundos buscam empresas consolidadas, com vantagens competitivas evidentes e sem o risco que algumas startups trazem embutido. Por outro lado, também existiam aqui analistas especializados em outros mercados e com familiaridade com o tema - alguns até participavam de ofertas privadas de startups famosas no exterior.
Bem, como falei, essa lógica mudou há poucos anos. Muitas growth companies vieram à bolsa, algumas mais sólidas e conhecidas, outras nem tanto. Por um lado, isso é ótimo para o mercado - quanto mais empresas e mais gente investindo, melhor para a economia do país. No entanto, alguns valuations astronômicos passaram a surgir. Para alguns, é o "novo normal" e quem discorda não sabe avaliar empresas em crescimento. Para outros, cada vez mais numerosos (e discretos), se antes as companhias corriam o risco de serem subavaliadas pelos analistas, agora estão facilmente sendo sobreavaliadas, muitas vezes sem darem o disclosure sobre métricas que indicam a perenidade e qualidade do negócio.
Um banker com trânsito em alguns desses negócios me disse outro dia que "o canto da sereia venceu". O medo de ficar de fora (famoso FOMO) passou a estar cada vez mais presente nos roadshows. E o storytelling vem ganhando a batalha sobre os números operacionais. Mas, como diz uma famosa frase de Warren Buffett, "Só quando a maré baixa é que você descobre quem estava nadando nu."
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04h55: Variação da taxa de desemprego em julho na Alemanha;
08h00: IGP-M de julho, divulgado pela FGV;
08h30: Publicação da ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE);
09h30: Divulgação do PIB do segundo trimestre nos Estados Unidos;
09h30: Pedidos de seguro desemprego na última semana nos Estados Unidos;
15h00: Reunião virtual do Conselho Monetário Nacional (CMN);
19h00: Live do Suno Notícias com os principais temas do dia e o quadro "Quinta com Suno Consultoria".
O QUE MEXE COM SEU BOLSO HOJE
Bronze histórico no Judô e ouro do Ibovespa contra o exterior
A história do Brasil nas Olimpíadas foi escrita há pouco. A gaúcha Mayra Aguiar venceu o bronze no Judô e se tornou a primeira brasileira na história do País a ter três medalhas olímpicas em esportes individuais. Desde Londres, em 2012, ela tem sido figura carimbada no alto do esporte. A medalha de ouro fica para o Ibovespa, que se recuperou na véspera.
Retomada. O maior índice acionário brasileiro subiu 1,34% no último pregão, puxado pelos resultados corporativos, que têm vindo acima das expectativas. As incertezas causadas pela reunião do Fed não abalaram os investidores locais. Confira aqui os destaques do fechamento.
Estabilidade. O Ibovespa conseguiu se recuperar frente ao exterior, que ontem não saiu da estabilidade. O S&P 500 teve uma leve queda de 0,02%, enquanto as Bolsas europeias subiram levemente. O destaque ficou para a Nasdaq, que mesmo assim avançou 0,70%, com as big techs surpreendendo positivamente nos balanços. Veja aqui a visão do Fed para a política monetária dos Estados Unidos.
As versões do Windows que ficaram mais tempo no mercado. Foto: Statista
RESULTADOS
Commodities pra cima, Vale pra cima
Foto: Divulgação Vale
Ontem, a maior empresa do Brasil divulgou seus números do segundo trimestre deste ano. A Vale (VALE3) registrou um lucro líquido de US$ 7,58 bilhões no período entre abril e junho, alta de 37% sobre o apresentado no mesmo período de 2020. Quer saber mais sobre a empresa? Clique aqui.
A gigante de R$ 620 bilhões em market cap justificou o resultado pela alta do minério de ferro. Como esperado, a cotação da commodity no trimestre explodiu, ficando acima da marca de US$ 200 por tonelada, mais que o dobro que o praticado no primeiro trimestre.
Ponto de atenção. O lucro da Vale, contudo, ficou abaixo do consenso do mercado, que esperava por um ganho de US$ 8,84 bilhões. Ontem, as ações da mineradora subiram 2,73%. A ver como os papéis se comportam e, consequentemente, para onde levam o Ibovespa. Veja aqui os detalhes do resultado.
ABERTURA DE CAPITAL
De volta a 2007?
Foto: Pixabay
Ontem, TC (TRAD3) e Armac (ARML3) estrearam na B3 em disparada. Ambas as empresas subiram mais de 30%, mostrando que ainda existe espaço para plataformas de tecnologia e agronegócio abrirem capital por aqui.
O movimento lembra 2007, ano em que a Bolsa brasileira mais registrou listagens de ações e disparadas no primeiro dia de negociações eram bem comuns. Aliás, 2021 já ultrapassou 2020 e caminha para alcançar 2007 em número de aberturas de capital. Já são quase 40, contra 64 daquele ano. Veja aqui como investir em um IPO.
Liquidez. Nos Estados Unidos, o movimento não é diferente, embora seja mais comum. A Robinhood precificou suas ações a US$ 38 por ação para o IPO. Ontem, as ações do Duolingo estrearam na Nasdaq e dispararam mais de 40%. Saiba mais aqui.
VACINAÇÃO
Empresas norte-americanas preparam volta aos escritórios. Com uma condição
Foto: Pixabay
Com a vacinação em estágio avançado nos Estados Unidos, as maiores empresas do país procuram voltar à normalidade. Porém, algumas exigem a vacinação dos funcionários. É o caso de Google, Facebook e Morgan Stanley. O banco, inclusive, também atenderá clientes pessoalmente em suas agências se eles estiverem vacinados.
O setor aéreo, muito impactado pela pandemia, também adotará medidas similares. A United Airlines determinou obrigatória a vacinação em rotas para países de alto risco. A companhia Delta, por sua vez, contratará apenas pessoas vacinadas a partir de agora.
Variante preocupa menos. Nas últimas semanas, a variante Delta tem levantado preocupações. A boa notícia é que, segundo o JP Morgan, o Reino Unido pode servir como exemplo de que a alta taxa de disseminação do vírus não representa uma elevada mortalidade. Leia mais sobre o tema aqui.
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RADAR DE EMPRESAS
A Tim (TIMS3) abriu um processo no Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá para rever cláusulas contratuais de sua parceria com o C6 Bank. A informação consta no relatório do balanço do segundo trimestre da empresa.
Lucro da Multiplan (MULT3) avança 32,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, para R$ 93,77 milhões. Os 19 shopping centers da empresa têm se recuperado da pandemia.