Saldo do Dia - Palavras são só palavras O horizonte dos juros preocupa. E ofereceu aversão generalizada às ações vendidas no Brasil hoje. O Banco Central, em seus últimos comunicados, avisou disposição de matar a cobra e mostrar o pau para domar a inflação. Em seis semanas, a Selic subiria no mínimo 0,75 ponto. Ou seja, se preciso fosse, subira mais. E essa postura durona, por si só, vinha bastando para esfriar as projeções de alta dos preços no Brasil. Feito país que tem bomba atômica para não usar, a ameaça feita pelo BC de eventualmente subir a Selic em 1 ponto, por si só, parecia capaz de surtir o efeito desejado. E a média do mercado foi passando a concentrar apostas numa alta da Selic aos 5%, não aos 5,25% ao ano. Mas preços não caem com palavras. E têm subido, como não poderiam deixar de fazer, puxados por uma demanda mais aquecida que a oferta. Um descompasso que não se reduz com um BC apenas falando mais grosso que o habitual. Falta só uma semana para a decisão sair. E passar das palavras à ação, subindo a Selic em 1 ponto na semana que vem, começou a parecer inescapável ao mercado. Sob o risco de, se não for assim, o cumprimento da meta de inflação em 2022 caminhar para o mesmo vinagre para o qual já foi em 2021. E da credibilidade recuperada pela autoridade monetária em junho escorrer por suas mãos de vez. - Mas não foi só por causa da decisão de juros chegando no Brasil que a bolsa apanhou hoje. Serão conhecidos amanhã os próximos passos da política monetária americana. E o que se sabe, por ora, é que ninguém sabe de nada. Leia , ouça ou assista aqui mais detalhes deste Saldo do Dia.
Abaixo, mais notícias. Boa noite, e bom descanso, Gustavo Ferreira, repórter do Valor Investe |